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“Barcos-fantasma” norte-coreanos chegam ao Japão

Kyodo / Reuters

O aparecimento nas águas territoriais do Japão de embarcações de pesca norte-coreanas, à deriva, algumas das quais com as tripulações já mortas, é um indicador da situação desesperante que as leva a aventurarem-se, sem condições, por águas mais longínquas

As patrulhas marítimas do Japão têm encontrado junto à sua costa norte um número crescente de embarcações de pesca norte-coreanas à deriva, em alguns dos casos verdadeiros “barcos fantasma” com as tripulações já mortas.

O fenómeno não é novo. Todos os anos navios norte-coreanos costumam surgir junto à costa nipónica, mas desta feita o caso está a ganhar maior dimensão. No mês passado foram encontradas 28 embarcações, o número mais alto desde que começaram a ser registados, em 2014.

Este ano foram resgatadas com vida 42 pessoas, e também encontrados 18 cadáveres, no total, em várias embarcações.

As autoridades japonesas indicam que é muitas vezes difícil determinarem a forma exata como as pessoas morreram, pois as embarcações permanecem à deriva durante meses até irem dar à costa do Japão.

“Os pescadores estão desesperados na tentativa de alcançarem os volumes de pesca, que a cada ano têm números mais elevados”, refere Toshimitsu Shigemura, especialista na matéria da Universidade Waseda, no Japão, citado pela agência France Presse.

O caso é também um indicador da situação desesperante vivida na Coreia do Norte, acentuada pelas sanções internacionais.

O líder Kim Jong Un ordenou o aumento das pescas em 2013, mas o problema agravou-se por entretanto a Coreia do Norte ter vendido à China os direitos de exploração pesqueira no Mar Amarelo, para obter divisas estrangeiras, obrigando os seus pescadores a aventurarem-se por águas mais longínquas em embarcações frágeis.

“As embarcações de pesca da Coreia do Norte são bastante velhas e eles não possuem muito combustível, pelo que, naturalmente, acabam à deriva flutuando até ao Japão”, disse Pyon Jinil, especialista na Coreia do Norte baseado no Japão.

Um recente editorial do jornal norte coreano “Rodong Sinmum” frisou recentemente que as pescas deste inverno são cruciais para a sobrevivência do país: “Enbarcações de pesca são como navios de guerra, protegendo o povo na terra-mãe. Os peixes são como balas e bombas”.

O Japão intensificou as patrulhas na área, em parte devido ao receio de que a Coreia do Norte procurasse introduzir espiões no seu país deste modo.

Especialistas desvalorizam contudo este receio, considerando que é muito fácil penetrar na costa do Japão e que os agentes secretos facilmente podem fazê-lo com equipamento adequado.