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Tony Blair confirma que está empenhado em reverter o Brexit

Paul Morigi

Antigo primeiro-ministro britânico quer novo referendo sobre a saída da União Europeia. “Quando os factos mudam, as pessoas têm direito a mudar de opinião”, declarou à BBC

Tony Blair confirmou este domingo em entrevista à rádio 4 da BBC que está a tentar reverter o Brexit, alegando que os eleitores merecem voltar às urnas para decidir o seu futuro sob o argumento de que uma das promessas feitas pela campanha a favor da saída da União Europeia em 2016 se provou falsa.

Na entrevista, o antigo primeiro-ministro britânico disse que o que está a acontecer ao Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla inglesa), atualmente "a desmoronar-se", é uma "tragédia nacional" e que é agora "muito claro" que as garantias da Vote Leave sobre mais investimento no NHS graças ao Brexit não vão concretizar-se.

"Quando os factos mudam, as pessoas têm direito a mudar a sua opinião", defende. Desde sempre grande defensor da permanência no Reino Unido, esta foi a primeira vez que falou em tão claros termos sobre o seu empenho em contrariar a saída da UE. Questionado sobre se é essa a sua missão, o antigo líder respondeu: "Sim, é exatamente isso."

"Acredito que, no final, este país vai perceber que a nova relação [com a UE] ou vai causar profundos danos ao país ou, em alternativa, quando deixarmos a UE e o mercado único, vamos tentar recriar os benefícios [da anterior relação] numa nova e, nessa altura, as pessoas vão pensar: 'Qual é o objetivo?'."

Questionado sobre se a sua atitude viola a decisão da maioria, que em junho de 2016 votou a favor da saída, Blair defendeu que "a vontade do povo não é imutável" e repetiu que "as pessoas podem mudar de ideias se as circunstâncias mudarem". Para o trabalhista que chefiou o governo entre 1997 e 2007, o NHS é o tópico que pode levar a essa mudança de atitude dos eleitores, caso lhes seja dada a hipótese de voltarem às urnas para se pronunciarem sobre o Brexit.

"Muitas pessoas terão votado a favor do Brexit porque lhes foi dito que, se saíssem da Europa, todo o dinheiro iria voltar [aos cofres britânicos] e ser investido nos serviços de saúde. Essa foi uma promessa muito específica feita pelos defensores do Brexit e é agora claro na minha opinião que: um, não há verba extra a vir do Brexit para a saúde e, dois, na verdade vamos gastar menos dinheiro nos serviços de saúde, não mais dinheiro, porque o crescimento económico desacelerou e porque temos esta grande fatura a saldar com a União Europeia."

Em causa está um dos slogans da campanha Vote Leave, em que esta alegava que o Reino Unido ia investir 350 milhões de libras até agora destinados à UE no NHS caso o Brexit vencesse. Já depois do referendo, provou-se que este argumento era falso, por não ter em consideração questões orçamentais: o dinheiro que nunca seria enviado para Bruxelas à partida e os fundos que o Reino Unido reavia anualmente fazendo parte do bloco.

Na entrevista, Blair assumiu que "algumas pessoas acreditam que a pertença à UE é inconsistente com questões de soberania nacional" e que, por isso, votariam novamente a favor da saída, mas defendeu que há "um grande grupo de pessoas", particularmente eleitores trabalhistas, que só apoiaram o Brexit "por causa de preocupações económicas e culturais". Essas, refere o antigo primeiro-ministro, "podem ser persuadidas a mudar de ideias se obtiverem respostas às suas preocupações".

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