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Farage quer manter pensão de deputado europeu – e as acusações de hipocrisia não se fizeram esperar

NEIL HALL / EPA

Nigel Farage tornou-se o rosto da luta pelo Brexit. Sempre crítico do poder exagerado de Bruxelas e do dinheiro sugado dos cofres britânicos para o orçamento da União Europeia, pensa aceitar, porém, a pensão de 82 mil euros anuais de deputado europeu

Ana França

Ana França

Jornalista

Nigel Farage, ex-líder do Partido Para a Independência do Reino Unido (UKIP) e um dos políticos que mais ferozmente se bateu pela saída do Reino Unido da União Europeia, recusa-se a abdicar da sua pensão como deputado europeu –e os britânicos estão indignados.

Numa entrevista ao programa de Andrew Marr na BBC1, Farage disse que não estava a pensar em abdicar dos seus cerca de 82 mil euros anuais, isto apesar de, na sua opinião, o Parlamento Europeu, que lhe pagará a pensão, não ter razão de existir. Questionado sobre se aceitaria a pensão, Farage respondeu: "Claro que aceitaria. Já o tinha dito. Porque é que tem que ser a minha família a pagar por isto?", perguntou o ex-líder do UKIP.

Nigel Farage só receberia a pensão daqui a 10 anos, aos 63. Mas a onda de indignação não se fez esperar. Nas redes sociais surgiram imediatamente acusações de hipocrisia. "Nigel Farage é um hipócrita sem vergonha. Faz campanha contra os gastos abusivos da UE, mas vai levantar o seu cheque quando lhe convém", escreveu no Twitter Tom Brake, porta-voz dos Liberais Democratas para o Brexit.

Já o ex-deputado europeu do UKIP, Roger Helmer, manteve-se ao lado de Farage. Na mesma rede social, escreveu: "Mas em nome de quem é que Farage deveria abdicar da sua pensão? Foi-lhe atribuída legitimamente quando o Reino Unido era membro da UE de pleno direito, e um dos seus maiores contribuintes".

Mas o próprio Farage parece pouco convencido de que venha a receber de facto esse dinheiro. "Com a falta de organização monetária que lhe reconhecemos, ficaria muito surpreendido se receber esse dinheiro. Não me parece que vá acontecer".