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Internacional

Ex-Presidente do Iémen assassinado pelos seus ex-aliados na capital Sanaa

MOHAMMED HUWAIS

O ex-presidente do Iémen, Ali Abdullah Saleh, foi morto perto da capital, Sanaa, quando tentava escapar aos confrontos que aterrorizam a cidade desde quarta-feira. Saleh terá morrido com um tiro na cabeça disparado pelos mesmos rebeldes houthis que o apoiavam - até ele ter aceitado dialogar com a Arábia Saudita. Depois disso, para eles, tornou-se um traidor. Saleh foi presidente mais de 30 anos, tendo sido afastado com a onda da Primavera Árabe.

Ana França

Ana França

Jornalista

O ex-presidente do Iémen, Ali Abdullah Saleh morreu numa emboscada montada por rebeldes que, até à reviravolta da passada quarta-feira, tinham sido seus aliados na guerra sangrenta que se trava pelo governo do Iémen. A televisão Al Arabiya está a avançar a notícia e o partido do próprio Saleh - o Congresso Geral do Povo - também já confirmou a morte do seu líder, à agência Reuters.

Até quarta-feira da semana passada, os rebeldes houthis tinham sido seus aliados contra o atual presidente do Iémen, Abdrabbuh Mansour Hadi, que é reconhecido pela comunidade internacional mas não por toda a população. Mas divergências internas e lutas pelo domínio da principal mesquita na capital, Sanaa, fizeram rebentar confrontos entre alas da mesma fação provocando a morte de 125 pessoas em apenas cinco dias. No sábado, naquele que aparentemente foi o seu último discurso, Saleh anunciou o fim da sua aliança com os houthis dizendo-se preparado para "virar a página" se a coligação internacional apoiante do presidente Hadi cessasse os ataques ao Iémen.

Os principais atores da coligação receberam com agrado as notícias - quem não ficou contente foram os próprios houthis que acusaram o "seu" presidente de "arquitetar um golpe" contra uma aliança que o apoiava mas na qual "ele nunca acreditou".

Segundo a agência de notícias Reuters, Saleh foi morto enquanto tentava escapar da cidade. Um ferimento na cabeça, alegamente provocado por um tiro, terá sido a causa da morte.

Quase 10 mil pessoas morreram e cerca de 50 mil ficaram feridas desde que a coligação internacional - da qual fazem parte não só a Arábia Saudita mas também os Estados Unidos - decidiu intervir na guerra civil do Iémen, que começou em março de 2015. A ONU já chamou a atenção para aquela que pode revelar-se a pior crise humana da década já que o bloqueio da coligação à ajuda humanitária está a impedir o acesso de mais de 20 milhões de pessoas a qualquer tipo de alimentos.