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Internacional

Impasse eleitoral e recolher obrigatório provocam confrontos violentos nas Honduras

Gustavo Amador/EPA

O balanço de cinco dias consecutivos de protestos é de pelo menos uma vítima mortal - a imprensa local fala em sete - e mais de 20 feridos. Em causa está o resultado das eleições presidenciais de domingo, que a oposição diz não reconhecer, acusando o atual presidente de manipular a contagem dos votos para garantir a reeleição

Uma eleição, dois candidatos e... dois vencedores. É este o balanço possível das eleições presidenciais nas Honduras, que aconteceram no passado domingo e na sequência das quais tanto o atual presidente e recandidato, Juan Orlando Hernández, como o seu opositor, o apresentador de televisão Salvador Nasralla, anunciaram a vitória. Cinco dias depois, os votos ainda não foram totalmente contabilizados e os protestos não dão sinais de parar.

A tensão, que começou a crescer a seguir às eleições e se intensificou desde quarta-feira, disparou com o anúncio, nesta sexta-feira, de que todos os cidadãos passarão a estar sujeitos a recolher obrigatório entre as 18h e as 6h da manhã. Tudo, justifica o atual presidente, para evitar que haja novos confrontos violentos, que até agora resultaram num morto, 20 feridos e 100 detidos, segundo os números oficiais. Mas neste sábado, a imprensa local noticiou que o número de mortos já subiu para sete - informação que não foi confirmada pela polícia - e que o número de mortos já ultrapassa as duas dezenas.

Para a oposição, a proclamação deste "estado de exeção" não passa de uma forma de controlar a população - durante o período de recolher obrigatório, que será de pelo menos dez dias, a polícia e o Exército também terão poderes reforçados - e anunciar entretanto uma vitória manipulada do atual presidente e recandidato, que Salvador Nasralla recusa aceitar.

Quando a contagem dos votos começou, registava-se um avanço para Nasralla, que é apoiado pelo anterior presidente, Manuel Zalaya - em 2009, Zalaya deixou de ser presidente devido a um golpe de Estado feito por militares que defendiam que se estaria a preparar para se candidatar a um segundo mandato, proibido pela Constituição, conta a Al-Jazeera. Juan Orlando Hernández quer agora recandidatar-se, usando como argumento uma decisão de um tribunal que contraria a limitação de mandatos e que foi muito contestada no país.

GUSTAVO AMADOR

Neste momento, o tribunal eleitoral, responsável pela contagem dos votos, dá conta de um ligeiro avanço para o atual presidente e já anunciou que contará um a um os votos que ainda estão por registar e que perfazem seis por cento do total, escreve a Reuters.

Num clima de tensão em que se as notícias de violência e vandalismo se acumulam, com o país a registar altas taxas de homicídios e conflitos entre gangues ligados ao tráfico de droga, a oposição defende que o reforço de poderes da polícia e do Exército nesta altura servirá apenas para calar os protestantes e anunciar sem problemas uma vitória alegadamente manipulada do atual presidente.