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Internacional

Candidato às presidenciais no Egito impedido de voltar ao país

Shafiq foi o último primeiro-ministro de Hosni Mubarak, cargo que ocupou durante um mês em 2011

Notícia foi avançada a partir dos Emirados Árabes Unidos pelo próprio Ahmed Shafiq, que ficou em segundo lugar na corrida à presidência após a queda de Hosni Mubarak durante a Primavera Árabe

Um antigo primeiro-ministro egípcio diz que não está a ser autorizado a abandonar os Emirados Árabes Unidos (EAU), onde vive desde 2012, desde que perdeu as presidenciais para Mohamed Morsi naquelas que foram as primeiras eleições democráticas do país depois da queda do ditador Hosni Mubarak.

Numa mensagem vídeo enviada à Al-Jazeera na quarta-feira, Ahmed Shafiq diz que não sabe porque é que está a ser impedido de sair dos EAU — um bloqueio surgido horas depois de Shafiq ter avançado em exclusivo à Reuters que pretende ser candidato às presidenciais egípcias de 2018, concorrendo contra o atual Presidente e antigo chefe das Forças Armadas, Abdel Fattah al-Sisi.

"Fiquei surpreendido por saber que não estou autorizado a abandonar os EAU, por razões que não compreendo e que não quero sequer tentar entender", declarou.

Contexto

No início de 2011, perante os protestos em massa da chamada Primavera Árabe que acabariam por levar à destituição de Mubarak, o então Presidente nomeou Shafiq seu primeiro-ministro, um cargo que ocupou apenas um mês.

No ano seguinte, foi um dos candidatos às primeiras presidenciais livres do país, que viram o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Morsi, chegar ao poder — seria destituído no ano seguinte por Al-Sisi, que foi eleito Presidente em 2014 e que no próximo ano se candidata à recondução. Após a derrota por curta margem em 2012, Shafiq fugiu para os EAU e foi julgado in absentia no seu país-natal por corrupção — a Justiça egípcia acabaria por absolvê-lo, abrindo caminho ao seu retorno.

No vídeo enviado à Al-Jazeera, Shafiq explica: "Anunciei a minha intenção de concorrer às eleições presidenciais e estava a planear dar início a um périplo pelas comunidades egípcias que vivem no estrangeiro antes de voltar ao Egito dentro de alguns dias."

Também agradece aos EAU terem-no albergado nos últimos cinco anos, não sem críticas à atitude das autoridades. "Tenho manifestado, por várias vezes, o meu apreço aos EAU por me terem acolhido. Contudo, rejeito qualquer intervenção nos assuntos internos do Egito ao impedirem-me de exercer o meu direito constitucional e de executar uma missão sagrada de servir o meu país. Peço aos líderes dos EAU que ordenem o fim de quaisquer restrições à minha liberdade de viajar."

"Sisi vai ganhar"

Questionado sobre se Al-Sisi poderá estar por trás deste bloqueio, Samer Shehata, professor associado na Universidade de Oklahoma, disse ao canal qatari que não é certo se assim será mas que as restrições de movimento impostas a Shafiq beneficiam Sisi e também os Emirados e a Arábia Saudita.

"Não é claro se Sisi ou o governo egípcio estão por trás disto [mas] os EAU e a Arábia Saudita estão entre os mais fiéis apoiantes do atual Presidente egípcio, portanto têm interesse que ele continue no poder. Eles são favoráveis à permanência de Sisi no poder e não querem [a aparência de] quaisquer potenciais desafiadores."

Na mesma entrevista, o egípcio radicado nos EUA diz que, mesmo que Shafiq seja autorizado a regressar ao seu país e a candidatar-se às presidenciais de 2018, é pouco provável que seja eleito. "A realidade é que o sistema foi engendrado para que Sisi ganhe. Ele vai ser eleito para um novo mandato no próximo ano."