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Internacional

Trump pagou indemnização milionária a imigrantes ilegais

TIMOTHY A. CLARY / AFP / Getty Images

Os queixosos eram polacos que tinham trabalhado, sem proteção alguma, na demolição do edifício que deu lugar à Trump Tower

Luís M. Faria

Jornalista

Donald Trump pagou 1,375 milhões de dólares (1,157 milhões de euros) de indemnização num processo judicial interposto por trabalhadores imigrantes ilegais, na sequência da demolição do edifício que em 1984 daria lugar à Trump Tower, na 5ª Avenida em Nova Iorque. Os trabalhadores eram polacos e trabalhavam a quatro dólares (3,36 euros) à hora, metade da tabela aplicável aos trabalhadores sindicalizados.

Já se sabia que o atual líder dos Estados Unidos, cuja campanha presidencial assentou em boa parte na promessa de dar preferência aos trabalhadores americanos sobre os estrangeiros, tinha usado imigrantes nas obras da famosa torre com o seu nome. Mas os pormenores não eram conhecidos publicamente... até agora. Nos termos do acordo judicial a que se chegou após 15 anos de litigação, em 1998, as partes comprometeram-se a manter confidencialidade. Mas a revista “Time” e um comité de jornalistas pediram que fossem revelados, e uma juíza, referindo o facto de Trump ser hoje Presidente, deu-lhes razão.

“A parte [Trump] não identificou nenhuns interesses que possam sobrepor-se às presunções da lei e da Primeira Emenda de acesso aos documentos em causa”, justificou a juíza. Assim, pôde saber-se que Trump entregou meio milhão de dólares (420 mil euros) a um fundo sindical, ficando o resto do dinheiro para advogados e outras despesas judiciais.

Sem máscaras ou capacete protetor

Cada trabalhador acabou por receber umas poucas dezenas de milhares de dólares, o que é pouco se se considerar não apenas o dano económico como outros efeitos que sofreram. Trabalhando sem luvas, máscaras ou capacetes protetores, no meio de poeiras que incluíam enormes quantidades de amianto, um material cancerígeno, eles desfizeram paredes e soalhos durante meses.

Mais de 30 anos decorridos vários desses trabalhadores sofrem de cancro, entre eles Wojciech Kozak, um homem hoje com 75 anos e que foi entrevistado pelo diário “New York Times”. Falando através de um aparelho, após uma traqueotomia para retirada da laringe, recordou dias de trabalho de entre 12 e 16 horas e explicou: “Trabalhávamos em condições terríveis. Éramos imigrantes ilegais cheios de medo e não conhecíamos os nossos direitos”.

A certa altura, o subempreiteiro que Trump contratara deixou de pagar aos trabalhadores. No tribunal, durante o julgamento, o futuro Presidente garantiria que não sabia quem estava a trabalhar no local. Mas um capataz disse que ele visitava as obras com frequência e elogiava os polacos por trabalharem duro.