Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Osaka quer cortar relações com São Francisco por causa de estátua de escravas sexuais

Justin Sullivan

Apesar de geminadas, a cidade japonesa de Osaka ameaça cortar uma relação de 60 anos com a norte-americana São Francisco

Osaka, no Japão, e São Francisco, nos EUA, são cidades geminadas mas estão prestes a cortar uma relação que dura há já 60 anos. Ou pelo menos o lado japonês mostrou essa intenção, depois de o presidente da câmara de São Francisco, Edwin M. Lee, ter aprovado a colocação de uma estátua, em setembro, como homenagem às mulheres que antes e durante a Segunda Guerra Mundial foram escravas sexuais do exército nipónico.

Na sexta-feira, o chefe de gabinete do governo japonês, Yoshihide Suga, disse em conferência de imprensa que "a colocação de monumentos de 'mulheres de conforto' nos EUA e outros países vai contra a posição de arrependimento que o Japão tem sobre o assunto".

A estátua, instalada na Praça Saint Mary, no bairro de Chinatown em São Francisco, representa uma mulher coreana, uma chinesa e uma filipina. Estão as três de pé e de mãos dadas, sob o olhar atento de uma quarta figura mais velha, a sul-soreana Kim Hak-sun, defensora dos Direitos Humanos e a primeira mulher a falar da sua experiência como "mulher de conforto" durante a ocupação japonesa na Coreia.

Entre o início dos anos 30 e o final da Segunda Guerra Mundial, cerca de 200 mil mulheres foram forçadas a serem escravas sexuais. O Japão sempre negou que tivessem existido escravas sexuais no seio militar. Até 1993, ano em que várias mulheres começaram a denunciar os abusos a que estiveram sujeitas durante anos. O Japão pediu perdão pelo sucedido.

Desde essa altura, dezenas de estáttuas de homenagem às "mulheres de conforto" foram erigidas em países como a Austrália, Alemanha e agora os EUA.