Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

May em Bruxelas para prometer cooperação pós-Brexit contra “Estados hostis como a Rússia”

HANNAH MCKAY / REUTERS

Na capital belga para uma cimeira europeia, à margem da qual vai discutir a saída do Reino Unido com o presidente do Conselho Europeu, a primeira-ministra britânica vai sublinhar esta sexta-feira a necessidade de a Europa permanecer unida em matéria de segurança

A primeira-ministra britânica vai participar esta sexta-feira numa cimeira europeia em Bruxelas na qual vai sublinhar que é preciso união face a "Estados hostis como a Rússia" e que o Reino Unido vai continuar empenhado em garantir a segurança do continente após o Brexit.

Segundo a BBC, que teve acesso a uma transcrição do seu discurso, Theresa May vai declarar que é crucial que os países europeus trabalhem em conjunto para "proteger os nossos valores e ideais comuns" mesmo depois da saída do Reino Unido e apesar do enorme manancial de desenvolvimento que o leste europeu oferece.

"Da agricultura na Ucrânia ao sector tecnológico na Bielorrússia, há muito potencial nos vizinhos da Europa de Leste que devemos estimular e desenvolver, mas também temos de estar atentos às ações de Estados hostis como a Rússia, que ameaçam este potencial e que podem pôr em risco a nossa força coletiva", vai declarar May.

"Esta cimeira sublinha a importância crucial dos países europeus e do seu trabalho conjunto para proteger os nossos valores e ideais comuns. O Reino Unido pode estar de saída da UE mas não vai sair da Europa e estamos incondicionalmente comprometidos com a manutenção da segurança na Europa."

O discurso — no âmbito de uma cimeira dedicada às relações da UE com parceiros do leste como a Ucrânia e o Azerbaijão — surge depois de May ter acusado publicamente o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, de estar a tentar "minar sociedades livres" e a "semear discórdia no Ocidente".

Segundo o correspondente da BBC em Bruxelas, é esperado que a primeira-ministra britânica aproveite o evento desta sexta-feira para demonstrar que o Reino Unido pode e quer continuar a contribuir para a segurança do continente após a saída, por exemplo através do investimento de 100 milhões de libras ao longo de cinco anos para combater campanhas de desinformação com origem na Rússia.

À margem do encontro desta sexta-feira, May vai também discutir o Brexit com o líder do Conselho Europeu, Donald Tusk, que na semana passada voltou a avisar que Londres tem de fazer mais concessões quanto à 'fatura do divórcio" se quer dar início às conversações sobre trocas comerciais pós-Brexit antes do final do ano.

O Brexit não está na agenda, mas é esperado que May e Tusk discutam a sós os pontos mais controversos da saída britânica antes da próxima cimeira da UE. Será nesse encontro, a 14 e 15 de dezembro, que a UE a 27 vai decidir se já foram alcançados progressos suficientes sobre questões como a fronteira irlandesa e os direitos dos cidadãos para se poder passar à próxima fase das negociações — da qual poderá resultar um potencial acordo de transição a ser implementado após março de 2019, o prazo para concretizar o Brexit.

No início desta semana, o governo de May concordou que o Reino Unido deve oferecer mais dinheiro à UE, diz-se que até 40 mil milhões de libras, para fechar contas com Bruxelas, uma proposta que só deverá ser apresentada na condição de a UE aceitar dar início a conversações sobe o futuro das relações comerciais com Londres após a saída.

Na semana passada, Tusk disse que a união está "pronta" para avançar para a próxima fase do Brexit na cimeira de dezembro, mas avisou que primeiro o Reino Unido tem de demonstrar mais progressos quanto aos pontos de discórdia.