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Zimbabwe empossa novo Presidente esta sexta-feira

O futuro Presidente Emmerson Mnangagwa dando os parabéns a Robert Mugabe

Philimon Bulawayo / Reuters

Depois de 37 anos de presidência, o desaparecimento de Robert Mugabe parece dar lugar a uma transição "suave" liderada pelos militares. Emmett Mnangagwa será empossado enquanto soam vários alertas para que não se julgue que vem aí a democracia como o povo parece querer aclamar nas ruas das cidades de todo o país

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Há quem veja na próxima presidência do Zimbabwe a implantação de um novo feudo. Era o que se lia numa coluna de opinião da Al-Jazeera um dia antes do anúncio feito ao final da manhã desta quarta-feira pela ZBC - Zimbabwe Broadcasting Company - que é controlada pelo Governo - sobre a tomada de posse do ex-vice-presidente.

Não era segredo que Emmerson Mnangagwana - conhecido por “o crocodilo” - queria há muitos anos suceder a Robert Mugabe e ele está agora à beira de realizar o seu desejo, pois vai tomar posse como chefe de Estado do Zimbabwe na próxima sexta-feira. Mnangagwa estava fora do país desde 6 de novembro, após ter sido demitido pelo (então) líder dos últimos 37 anos, Robert Mugabe, por alegados “atos de traição” e não tinha ainda regressado ao Zimbabwe na altura deste anúncio.

Há décadas que a política do Zimbabwe tem sido definida pelo exército. O comentador da Al-Jazeera chama-lhe uma “oligarquia militar, neopatrimonial, personalizada com o papel principal de manter Robert Mugabe e o ZANU-PF no poder”.

Só na noite desta terça-feira é que Mugabe acabou por se demitir na sequência de intensa pressão de vários setores nacionais e internacionais. A seguir à tomada do poder pelos militares, foi a vez do partido no poder, o ZANU-PF, de pressionar a situação ao demiti-lo da presidência. “Mugabe tinha abusado da hospitalidade dos zimbabweanos”, declararou um comunicado da liderança do partido, acrescentando que, “pior ainda, rodeou-se de pessoas de conduta criminosa e com atributos primitivos e desrespeituosos”.

E agora, Zimbabwe?

“Não se pode ignorar o júbilo geral perante a demissão de Mugabe e do seu desejo de criar uma dinastia para si próprio através da sua mulher Grace”, escreve nesta quarta-feira o jornal sul-africano “Sunday Times” sob o título “Cuidado Zimbabwe: os militares querem defender os seus interesses, não a democracia”. O artigo descreve o gesto dos militares como não sendo destinado a fazer virar o país para uma democracia mas, antes, para “resolver uma crise de sucessão no ZANU-PF”. E sustenta este argumento sublinhando que o comando militar declarou de forma clara “estar a tratar de criminosos em torno de Mugabe”. E termina adiantando que o golpe garantiu ao exército escolher o seu sucessor favorito à presidência.

O fim da longa liderança de Mugabe tornou-se um facto na noite desta terça-feira: “Eu, Robert Gabriel Mugabe, entrego formalmente a minha demissão... com efeito imediato”, lia-se na carta que foi lida alto pelo porta-voz do parlamento e na qual Mugabe afirmava “a minha resignação é voluntária”.

Após a demissão do único chefe de Estado que o Zimbabwe conheceu após a independência, esperava-se em Harare a visita do Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que a adiou esta quarta-feira “até nova informação”, escreve o “Times Live” citando a presidência sul-africana.

Na cimeira que teve lugar esta terça-feira em Angola do orgão da Troika Plus da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento do Sul da África) tinha ficado decidido que o presidente atual da SADC, Jacob Zuma, e o presidente do Orgão da SADC para a Política, Defesa e Cooperação para a Segurança, João Lourenço, Presidente de Angola, viajariam até ao Zimbabwe para tomar conhecimento da situação em nome daquele organismo.