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Internacional

União Africana pede fim dos atos de escravatura na Líbia

Imigrantes da Costa do Marfim regressam a casa depois de terem permanecido durante algum tempo na Líbia

LUC GNAGO/REUTERS

As imagens de jovens africanos a serem vendidos num leilão público perto de Tripoli correram mundo. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e a União Africana já pediram celeridade para acabar com os atos de escravatura moderna

A União Africana (UA) pediu esta terça-feira às autoridades líbias uma investigação sobre o “mercado de escravos” que atinge imigrantes africanos na Líbia.

O presidente da comissão da UA, Alpha Conde, pediu aos responsáveis líbios que “melhorem as condições de detenção dos migrantes”. Segundo vários relatos, os refugiados migrantes apanhados a tentar a travessia para a Europa são colocados em centros de detenção e fechados em celas exíguas.

“Estas práticas de escravatura dos tempos modernos têm de acabar e a União Africana usará todas as ferramentas ao seu dispor” para que tal aconteça, afirmou o responsável da UA, que apelou ao fim imediato destas práticas e de todos os atos de tráfico humano. Para isso, afirma, é necessário agir rapidamente e identificar todos os criminosos e cúmplices e entregá-los à justiça.

As imagens de jovens africanos a serem vendidos num leilão público na Líbia, captadas e difundidas pela CNN, chocaram o mundo. Nessas imagens podiam ver-se compradores do norte de África a pagarem perto de 400 dólares (€341) por estas pessoas para usá-las como mão-de-obra escrava em trabalhos agrícolas. Estes leilões, descobriu a equipa de reportagem, ocorreram em nove locais do país.

Investigação em curso

A Líbia já iniciou uma investigação, segundo informações da CNN na passada sexta-feira, tendo em vista o regresso destes migrantes aos seus países de origem - Guiné, Senegal, Mali, Níger, Nigéria e Gâmbia.

A Organização Internacional para as Migrações fez saber que mais de 8800 migrantes que estavam retidos na Líbia regressaram este ano aos seus países.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, mostrou-se “horrorizado” com as notícias de imigrantes africanos a serem vendidos como escravos e também pediu que se investigue de imediato.

As provas apresentadas demonstram “escandalosos abusos dos direitos humanos” e podem representar crimes contra a humanidade, disse Guterres na segunda-feira, afirmando que pediu aos decisores das Nações Unidas para que se ocupem “ativamente deste assunto”.

Guterres pediu ainda que a comunidade internacional se una em torno deste flagelo e fez um apelo a todos os países para que adotem a Convenção das Nações contra o Crime Organizado Transnacional e o seu protocolo contra o tráfico humano.