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Venezuela. 13 deputados abandonam oposição para criar novo grupo parlamentar

JUAN BARRETO/GETTY IMAGES

O novo grupo parlamentar, denominado “16 de julho”, terá como missão defender a liberdade de expressão, os deputados presos e os presos políticos. Deputados querem designar novos membros para o Conselho Nacional Eleitoral e “recuperar” dois deputados do Estado de Amazonas que foram impugnados pelo chavismo

Helena Bento

Jornalista

Treze dos 112 deputados opositores da Assembleia Nacional (parlamento) romperam esta terça-feira com a aliança opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) e anunciaram a criação de um novo grupo parlamentar chamado “16 de julho”.

O novo grupo parlamentar é composto por militantes dos partidos Aliança Bravo Povo e Vem Venezuela, com caraterísticas “amplamente opositoras do regime, democratas e unitárias”, informou o deputado Richard Blanco, escolhido para líder da nova formação. “Este novo grupo não fará quaisquer pactos nem dialogará com atual regime”, explicou Blanco.

Em conferência de imprensa em Caracas, capital da Venezuela, o deputado explicou ainda que o nome do grupo está relacionado com a data de 16 de julho de 2017, quando os venezuelanos participaram num plebiscito simbólico contra o Presidente Nicolás Maduro, em que participaram mais de sete milhões de eleitores.

O grupo de parlamentares terá como missão designar novos membros para o Conselho Nacional Eleitoral, “recuperar” dois deputados do Estado de Amazonas que foram impugnados pelo chavismo e, além disso, defender a liberdade de expressão, os deputados presos e os presos políticos.

A criação do novo grupo acontece numa altura em que a MUD se encontra totalmente fracionada. As maiores divisões ocorreram depois das eleições regionais de 15 de outubro, em que a oposição não só não conseguiu eleger os representantes que gostaria - e que as sondagens indicavam que iria eleger - como quatro dos seus cinco governantes eleitos, dos Estados venezuelanos de Táchira, Mérida, Nova Esparta e Anzoátegui, abandonaram a oposição e prestaram juramento perante a nova Assembleia Constituinte. Nicolás Maduro, Presidente do país, tinha dito que se não fizessem não poderiam exercer. O único que se recusou a fazê-lo - e se manteve fiel à oposição - foi Juan Pablo Guanipa, do partido Primeira Justiça.

O partido do Presidente no poder, o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), venceu oficialmente em 18 das 23 regiões do país. A oposição denunciou a existência de irregularidades, nomeadamente o facto de mais de 1,6 milhões de votos não conterem assinaturas nem as impressões digitais dos eleitores, sendo portanto “ilegais”. A Organização de Estados Americanos (OEA) recusou-se a reconhecer os resultados das eleições, “por não existirem garantias para o exercício efetivo da democracia”. Perante isso, os EUA incentivaram a realização de uma auditoria completa dos resultados.

Só Nicolás Maduro não questionou as eleições, que considerou, aliás, um “triunfo total” da democracia e das liberdades públicas no país.

Henrique Caprilles, líder do partido Primeiro Justiça e uma das principais figuras da oposição, haveria de anunciar a sua saída da MUD pouco tempo depois disso.