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Internacional

Sismo no Irão. Milhares de sobreviventes estão sem abrigo há duas noites

Equipas de resgate continuam à procura de sobreviventes sob os escombros na fronteira com o Iraque

FARZAD MENATI / AFP / GETTY IMAGES

Iranianos que sobreviveram ao poderoso sismo que provocou mais de 430 mortos, de domingo para segunda, continuam ao relento. Pelo menos 12 mil habitações ficaram “completamente destruídas”

Milhares de iranianos passaram uma segunda noite ao ar livre sob baixas temperaturas depois de um poderoso sismo de 7,3 na escala de Richter ter devastado o oeste do país, na fronteira com o Iraque. O governo está a tentar fazer chegar ajuda humanitária de emergência à província montanhosa de Kermanshah, a zona mais afetada pelo sismo que, na noite de domingo para segunda-feira, provocou mais de 430 mortos e cerca de sete mil feridos.

Esta terça-feira cumpre-se um dia de luto nacional pelas vítimas do sismo no Irão e é esperada uma visita do Presidente Hassan Rouhani à região. A BBC diz que a imprensa internacional continua sem autorização para aceder aos locais afetados.

Ao canal britânico, Mansoureh Bagheri, da Sociedade Crescente Vermelho, disse que cerca de 12 mil habitações “colapsaram totalmente” só em Kermanshah e que a prioridade é fornecer abrigos a estas pessoas o mais rápido possível.

A televisão estatal iraniana noticiou, esta terça-feira de manhã, que milhares de sobreviventes voltaram a passar a noite ao relento e que alguns deles, apesar de terem as casas intactas, optaram por ficar na rua por temerem os efeitos das réplicas que ainda se fazem sentir. “A noite é muito fria, precisamos de ajuda, precisamos de tudo. As autoridades deviam acelerar o processo”, disse uma das residentes de Sarpol-e-Zahab, a cidade onde houve mais vítimas.

Segundo uma agência humanitária, há cerca de 70 mil pessoas sem casa no rescaldo do sismo. A ONU e a União Europeia já se prontificaram para prestar apoio aos iranianos se assim lhes for pedido. Na televisão estatal iraniana, o major-general Mohammad Ali Jafari, líder da poderosa Guarda Revolucionária, confirmou que as necessidades imediatas da população são tendas, água e comida.

“Os edifícios construídos em anos recentes aguentaram-se, mas as casas antigas construídas com terra ficaram totalmente destruídas”, explicou durante uma visita à região afetada. A agência estatal noticiosa Irna diz que o Crescente Vermelho já enviou cerca de 30 equipas para as zonas mais afetadas pelo sismo, onde helicópteros do Exército estão a participar nas operações pós-desastre.

As autoridades iranianas já confirmaram que pelo menos 30 mil casas ficaram parcial ou totalmente destruídas e que o sismo destruiu completamente pelo menos duas aldeias da fronteira. Em Sarpol-e-Zahab, as equipas de resgate conseguiram salvar uma mulher e o seu bebé dos escombros, na segunda-feira. O principal hospital da zona, contudo, sofreu grandes danos e está sem capacidades para tratar as centenas de feridos que continuam a dar entrada desde domingo.