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O candidato que está a semear o caos no Partido Republicano

Wes Frazer / Getty Images

Um dos líderes do partido que ajudou a eleger Donald Trump já pediu a Roy Moore que abandone a corrida ao Senado perante acusações de assédio sexual a raparigas menores. Presidente continua em silêncio

O atual candidato do Partido Republicano ao Senado pelo estado do Alabama, que vai às urnas em dezembro, já tinha captado as atenções mediáticas no início de outubro quando, nas primárias republicanas, destronou o candidato apoiado por Donald Trump.

Antes disso, Roy Moore já era uma figura controversa, um juiz que aplicava as “leis” dos Dez Mandamentos bíblicos em tribunal, um cowboy com uma retórica populista e incendiária muito semelhante à do atual Presidente — que, depois da sua vitória nas primárias do partido, passou a apoiá-lo na corrida ao Senado e que continua em silêncio face às recentes acusações.

Esteve bem colocado nas sondagens frente ao rival democrata até várias mulheres virem denunciar que ele as assediou sexualmente quando elas eram menores e ele adulto, episódios ocorridos durante a década de 1970.

Na segunda-feira à noite, uma quinta mulher, Beverly Young Nelson, acusou publicamente o candidato republicano de a ter tentado violar quando ela tinha 16 anos e ele 30, após Moore se ter oferecido para lhe dar uma boleia até casa depois de ela terminar mais um dia de trabalho enquanto empregada de mesa. “Tentei dar luta enquanto gritava que parasse”, relatou Nelson.

O momento em que juntou a sua voz às de outras quatro mulheres deu-se pouco antes de Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado, ter pedido publicamente a Moore que abdique da sua candidatura à câmara alta do Congresso. “Acredito nestas mulheres”, declarou McConnell, alvo frequente dos ataques de Moore na campanha em curso. “Penso que ele deve retirar-se.”

Moore, agora com 70 anos, continua a rejeitar todas as acusações e já pediu emprestada ao Presidente uma expressão para classificar o que está a acontecer — uma “caça às bruxas”, como Trump qualifica o trabalho de investigação dos jornalistas e das autoridades federais sobre as suspeitas de conluio entre a sua equipa e a Rússia antes das presidenciais.

“Se ele se recusar a abandonar a corrida e ganhar, o Senado deve votar a sua expulsão, porque ele não cumpre os requisitos morais e éticos que o Senado sos EUA impõe”, defendeu ontem o senador Cory Gardner, líder da comissão nacional do Partido Republicano no Senado.

Tal como McConnell, Gardner também acredita que as mulheres “falaram de forma corajosa e verdadeira” quando denunciaram o assédio de que foram vítimas da parte de Moore. O candidato, contudo, já garantiu que não vai abdicar da corrida.

Há quatro dias, uma sondagem junto dos eleitores do Alabama, conduzida depois de o jornal “The Washington Post” ter noticiado as primeiras denúncias, na quinta-feira, mostrou que a corrida estava empatada entre o candidato republicano e o democrata Doug Jones.

No domingo, um inquérito de opinião posterior apontava para um ligeiro avanço de Jones sobre Moore — ainda que 29% dos eleitores inquiridos tenham sublinhado que as acusações contra o republicano só reforçam o seu apoio.