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Governo venezuelano: Sanções da UE são “ilegais”, “hostis”, “absurdas” e “ineficazes”

Spencer Platt

Sanções foram anunciadas esta segunda-feira e incluem um embargo de armas e outro material que “possa ser usado para a repressão interna. Ministro dos Negócios Estrangeiros português esclareceu que as medidas terão “alvos específicos e determinados” e que o objetivo último é “lançar o diálogo político”

Helena Bento

Jornalista

Medidas são “ilegais”, “hostis”, “absurdas” e “ineficazes”. Foi desta forma que o Governo de Nicolás Maduro se referiu às sanções impostas esta segunda-feira pela União Europeia contra a Venezuela.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros venezuelano considera que a decisão da UE “viola descaradamente o direito internacional, seguindo a linha da conduta de Washington”, que impôs recentemente sanções contra o país, como a proibição de comprar novas obrigações emitidas pelo Estado ou pela companhia petrolífera nacional (PDVSA).

“O Conselho Europeu pretende convencer o mundo de um suposto consenso entre os seus Estados-membros com o adotar de medidas hostis, quando a realidade é que as principias economias europeias exercem uma forte pressão sobre os restantes governos e as próprias instituições da União Europeia”, refere ainda a nota.

Esta segunda-feira, a União Europeia decidiu, por unanimidade, aplicar sanções à Venezuela, que incluem um embargo de armas e outro material que “possa ser usado para a repressão interna, bem como o quadro legal para proibição de viagens e congelamento de bens”, lê-se no comunicado divulgado. Na mesma nota, os chefes da diplomacia da UE sublinham que as medidas foram concebidas de modo a não afetar a população venezuela, cuja situação quer-se aliviada. Também explicam que estas sanções “serão adotadas de uma forma gradual e flexível”, podendo ainda ser “alargadas”, para punir aqueles que desrespeitem os direitos humanos, os princípios democráticos ou o estado de direito, ou, pelo contrário,“revertidas”, caso sejam observadas “negociações credíveis, respeito pelas instituições democráticas, adotação de um calendário eleitoral completa e libertação de todos os prisioneiros políticos”.

Presente em Bruxelas, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, esclareceu que as sanções terão “alvos específicos e determinados” e que o objetivo último é “lançar o diálogo político”. Há cerca de quatro meses, o ministro descartara a possibilidade de aplicar sanções à Venezuela, dizendo não ter ainda “chegado o momento” de discutir esse assunto.

O Governo venezuelano considera, porém, que as medidas irão prejudicar não só o povo venezuelo, como também os europeus (“quase um milhão”) que vivem na Venezuela e que “sofreram diretamente os impactos da violência política e económica causada pela oposição nos últimos meses”.

O Governo de Nicolás Maduro considera ainda que a tentativa da UE de sancionar um “país soberano” abre um “precedente perigoso” no que diz respeito às relações do bloco europeu com a América Latina.

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