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Purga real abala elites da Arábia Saudita

Com o aval do pai, o príncipe herdeiro saudita ordenou a detenção de 20 figuras proeminentes do reino, entre elas 11 príncipes

FAYEZ NURELDINE / AFP / GETTY IMAGES

Passo vem consolidar o poder do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, nomeado sucessor do rei Salman, seu pai, em junho, numa altura em que continua empenhado numa série de reformas sociais e económicas para reavivar a economia do reino

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita ordenou este fim-de-semana que 11 príncipes do reino, a par de alguns dos homens mais ricos do país e de uma série de ex-ministros, fossem detidos por alegados crimes de corrupção, num passo que vem consolidar o poder de Mohammed bin Salman.

Afastados foram pelo menos 20 elementos proeminentes das elites sauditas, entre eles o multimilionário Al-Waleed bin Talal, até agora tidos como imunes a acusações formais. O "The Guardian" refere esta segunda-feira que a escala e os alvos da purga executada no sábado sob um decreto promulgado pelo rei Salman "ultrapassam tudo o que já foi visto em Riade em anos recentes", atingindo deliberadamente figuras até agora intocáveis.

Fontes próximas do príncipe herdeiro dizem que o passo tem como objectivo forçar alterações no comportamento de figuras públicas num reino em que as redes de patronato quase sempre determinam o curso de lucrativos negócios.

Outros na capital saudita descrevem a purga do príncipe Salman como uma tentativa despudorada de afastar dissidentes e rivais políticos enquadrada no seu ambicioso plano de reformas sociais e económicas no país que virá a liderar quando o seu pai se retirar da vida pública. O passo vem, de facto, consolidar o controlo de Mohammed bin Salman sobre as instituições de segurança do reino, que são há muito chefiadas por distintos e poderosos ramos da família real saudita.

Nomeado príncipe herdeiro há quase seis meses, Mohammed bin Salman tem estado a encetar uma série de reformas sociais com o objetivo de salvar a moribunda economia saudita através de uma aproximação do Estado aos seus cidadãos. Nesse contexto, o filho do monarca já ordenou a abolição de leis que proíbem as mulheres do reino de conduzir e de aceder a recintos desportivos — prevendo-se para breve a reabertura das salas de cinema do país para que passem a ser acessíveis a todos os cidadãos.

Face à corrupção endémica entre as mais jovens gerações da Arábia Saudita, o príncipe herdeiro também já prometeu tornar os negócios empresariais do reino mais transparentes. O "espetáculo de membros da família real a serem detidos" este fim-de-semana, assim definido pelo "The Guardian", vem reforçar as operações de combate à corrupção lançadas por bin Salman.

Sobre a comissão criada a mando do príncipe herdeiro para acabar com a onda de crimes financeiros, o procurador-geral saudita, Saud al-Mojeb, anunciou ontem que já foram abertas várias investigações às figuras de elite detidas nos últimos dois dias.

"Estão a ser garantidos aos suspeitos os mesmos direitos e o mesmo tratamento que a qualquer outro cidadão saudita", garantiu. "A posição e o estatuto de um suspeito não influenciam a atuação firme e adequada da Justiça. Durante a investigação, todas as partes mantêm totais privilégios legais em relação às suas propriedades pessoas e privadas, incluindo aos seus fundos", acrescentou.