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Serão legítimas as eleições desta quinta-feira no Quénia?

Uma simpatizante da coligação Jubileu apela ao voto com a cara coberta pela caraça do Presidente Uhuru Kenyatta. A oposição apela ao boicote

BAZ RATNER / Reuters

Depois de o Supremo Tribunal ter anulado os escrutínios de 8 de agosto impugnados pela oposição por alegadas “irregularidades” e “ilegalidades”, a nova votação marcada para esta quinta-feira está ensombrada pela promessa de tumultos. O opositor do Presidente Uhuru Kenyatta, Raila Odinga, retirou-se da corrida e apela ao boicote das assembleias de voto

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Até que a comissão eleitoral independente sofra uma reforma radical, Raila Odinga não participa nas eleições marcadas para esta quinta-feira. Esta é decisão do líder da oposição queniana que, depois de se retirar da corrida à presidência, apela ao boicote do voto e ao protesto popular.

É já amanhã que o Quénia vai a votos, mas tudo tem corrido mal desde que o resultado do último escrutínio foi anulado pelo Supremo Tribunal queniano na sequência da impugnação feita pela oposição, alegando “irregularidades” e “ilegalidades” no processo de escrutínio dos votos.

Uhuru Kennyata, o atual Presidente e o mais votado em 8 de agosto, em que obteve 54% dos escrutínios, não pôde tomar posse. Pelo seu lado, o Presidente alertou para uma crise constitucional caso a nova votação seja adiada.

Depois de manifestar a sua profunda satisfação pela anulação do voto, Odinga retirou-se desta repetição dos escrutínios, deixando a comissão eleitoral independente em apuros. E deixando os eleitores sem resposta clara quanto à legitimidade deste ato eleitoral.

Na semana passada, um dos oito elementos da comissão exilou-se nos EUA fugindo pela vida. Há uma semana, outro elemento da comissão “meteu férias” a partir desta quarta-feira. Nas barricadas montadas pelos simpatizantes de Odinga continuam a arder pneus e o contendor de Kenyatta alega não haver condições para que o voto de amanhã venha a ser diferente do que teve lugar em agosto. A violência tem estado presente nas numerosas manifestações que acontecem regularmente desde então e nada faz prever que haja tranquilidade no voto de amanhã.

As principais prejudicadas para já são as pessoas que dependem do comércio informal para sobreviver e viram o turismo desaparecer aos poucos do país. Os lucros deste setor de peso na economia queniana está já comprometido em 2017.