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Negociações podem acabar com “nenhum Brexit” se Reino Unido quiser

EMMANUEL DUNAND/GETTY

Num discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Donald Tusk declarou esta terça-feira que “está nas mãos de Londres decidir como é que isto acaba

O presidente do Conselho Europeu sugeriu na terça-feira que o Reino Unido ainda pode decidir reverter o Brexit, num discurso sobre as negociações de saída entre Londres e Bruxelas no qual referiu que resta ao governo de Theresa May decidir que caminho quer escolher.

"Ainda temos à nossa espera o mais difícil teste de stress", declarou Donald Tusk no Parlamento Europeu em Estrasburgo. "Se falharmos, as negociações vão terminar com a nossa derrota. Temos de manter-nos unidos independentemente da rota que as conversações seguirem. A União Europeia vai conseguir estar à altura de qualquer cenário desde que não se divida. Na verdade, está nas mãos de Londres decidir como é que isto acaba: com um bom acordo, nenhum acordo ou nenhum Brexit. Em qualquer destes cenários só conseguiremos proteger os nossos interesses comuns se nos mantivermos juntos."

A possibilidade de o Brexit não se concretizar é um cenário elevado por alguns defensores da permanência na UE desde que pouco mais de metade do eleitorado britânico votou a favor da saída no referendo de junho de 2016.

Alguns especialistas em Direito comunitário dizem que o Reino Unido ainda pode revogar o artigo 50, a cláusula do Tratado da União Europeia que prevê a saída inédita de um Estado-membro e que o governo de May ativou em março deste ano. Se isso não acontecer, o Reino Unido irá abandonar automaticamente o bloco europeu, com ou sem um acordo, em março de 2019.

É, contudo, improvável que o governo britânico suspenda o processo de saída, sobretudo considerando que todos os grandes partidos políticos do Reino Unido prometeram respeitar os resultados do referendo.

Os Democratas Liberais continuam a defender que o acordo final que for alcançado com Bruxelas deve ser sujeito a uma nova consulta popular, uma possibilidade que vai ser debatida e votada pelos deputados britânicos em dezembro, depois de mais de 100 mil pessoas terem assinado uma petição com esse propósito no site da Câmara dos Comuns.