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BBC mais “british”

d.r.

Mais e melhor. A BBC terá de difundir mais programação original britânica já a partir do ano que vem. A determinação é imposta pela Ofcom, a entidade reguladora dos media e telecomunicações no Reino Unido, à luz da nova carta de obrigações estabelecida para o operador publico de televisão e rádio

Texto Luís Proença

O novo princípio regente pretende assegurar que a estação, através dos mais diversos canais, passe a oferecer programação distintiva, criativa, de alta qualidade dirigida a toda a audiência e fazendo refletir a diversidade de comunidades do país.

À parte dos pressupostos gerais, e trocado por miúdos, o Ofcom impõe quotas: pelo menos dois terços (75 por cento) do número total de horas de programação diária dos canais mais populares têm de ser produções originais britânicas e endereçadas aos públicos nacionais. Nos canais de maior audiência – BBC One e BBC Two - a quota eleva-se para os 90 por cento, durante as horas noturnas de maior consumo do “prime time”. Os canais infantojuvenis do grupo público (CBBC e CBeebies) terão igualmente de se voltar mais para dentro, passando a ter de emitir 400 e 100 horas de novas produções nacionais, respetivamente, por ano, no mínimo.

Os novos princípios programáticos e consequentes quantitativos fixados para a BBC veem a luz do dia exatamente seis meses depois da atribuição da responsabilidade ao Ofcom de se tornar no primeiro regulador independente e externo da British Broadcast Company.

O rol de pressupostos associados à nova licença de operação obrigam ainda a que todas as regiões que compõem o Reino Unido estejam representadas com precisão na programação dos canais, pelo que mais conteúdos televisivos vão ter de passar a ser feitos por todas as nações integrantes do reino. E também esta alínea tem quantitativos: pelo menos metade das horas de produção original a emitir pelos principais canais terão de ser produzidos fora de Londres, com a atribuição de quotas mínimas por cada nação, indexadas à dimensão populacional de cada uma.

Desta feita, a BBC One e a BBC Two têm, entre as duas, de transmitir seis mil horas por ano de programação que seja do interesse específico das nações e regiões, tendo 95 por cento de ser produzidas nas áreas com que se relacionam tematicamente.

Na nova senda de uma BBC para todo o Reino Unido, o Ofcom vai assegurar que cada uma das quatro nações venha a receber uma parte justa dos investimentos do operador em programação, tendo determinado que a BBC terá que gerir os custos de produção dos programas de forma repartida e per capita, nação a nação consideradas.

A nova carta emanada pelo Ofcom tem por base as conclusões retiradas de uma consulta pública junto de ouvintes e telespectadores, a partir das quais se decreta que a informação passará a ter mais tempo de emissão nos dois canais principais de TV e de rádio e que géneros de programas considerados vulneráveis - como os dedicados às artes, em geral, à musica, em particular, e à religião - também vão passar a ter expressão na grelha de programas da One e da Two, alguns dos quais em horário nobre.

A exibição de programas de comédia está igualmente salvaguardada, nestes mesmos moldes. O Ofcom enuncia, de resto, que espera que a BBC prossiga com a produção e a emissão de géneros valorizados pelos espectadores com as séries de ficção de drama e humor, à cabeça do top.

Por entre as novas obrigações da rádio pública emerge a indicação de que os dois canais de maior audiência são chamados a alargar o leque de escolhas musicais, não circunscrevendo as “playlists” aos êxitos passados pelas estações comerciais, e tendo a obrigação de emitir mais música de novos e emergentes artistas britânicos.