Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Reverter Brexit com segundo referendo teria impacto “positivo” na economia britânica

reuters

Relatório da OCDE sublinha que economia do Reino Unido vai sofrer se o divórcio da União Europeia se concretizar sem um acordo comercial ou um acordo de transição

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgou um relatório, na terça-feira, no qual avisa que o atual impasse nas negociações de saída do Reino Unido vai traduzir-se num “Brexit turbulento” e onde sublinha que é possível evitar a paralisação da economia britânica com um segundo referendo sobre o divórcio.

No documento, que vem dar força à barricada pró-UE e aos britânicos que continuam a pedir que uma nova consulta popular seja convocada quando os “factos do Brexit” forem conhecidos, uma equipa de economistas sugere que suspender o divórcio em marcha é um caminho possível para combater os impactos negativos da saída para o Reino Unido.

“No caso de o Brexit ser revertido por uma decisão política (alteração de maioria, novo referendo, etc), o impacto positivo no crescimento [económico do Reino Unido] será significativo.”

A OCDE admite, contudo, que os resultados das negociações são difíceis de antecipar e que, apesar das diferenças entre Londres e Bruxelas, estes podem vir a “provar-se mais favoráveis” do que é descrito nas conclusões, levando ao aumento das trocas comerciais, do investimento e do crescimento económico.

Contudo, na ausência de um acordo comercial ou de um acordo de transição com a UE a 27, os mercados financeiros irão reagir negativamente, o que em última instância poderá levar à revisão em baixa do rating da dívida soberana do Reino Unido e à perda de 40 mil milhões de libras (44 mil milhões de euros) até 2019, traduzida numa desaceleração económica de 1,5% para o Reino Unido nesse ano, se o prazo para o fim das negociações expirar sem um acordo.

Um grupo pró-UE, o Open Britain, já classificou o explosivo relatório da OCDE como “o último prego no caixão da há muito enterrada noção de que o Brexit vai beneficiar a economia” do Reino Unido.

“Um Brexit duro ou a ausência de qualquer acordo puniria ainda mais a economia britânica”, refere Wes Streeting, deputado trabalhista e apoiante do grupo, citado pelo “Independent”. “O governo pode evitar isto se abandonar as linhas vermelhas ideológicas que impôs a si próprio e se começar a negociar a contínua pertença tanto ao mercado único como à união aduaneira.”