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Angela Merkel inicia conversações para formação da "coligação Jamaica"

Merkel à entrada da primeira ronda de negociações para a formação de governo em Berlim

FELIPE TRUEBA / EPA

Versada em negociações difíceis, a chanceler alemã lança-se na tarefa histórica de fazer quatro em um. CDU, CSU, FDP e Verdes, quatro partidos na coligação que usará as cores da bandeira da Jamaica: preto, verde e amarelo

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

No seguimento do resultado das eleições de 24 de setembro, esta quarta-feira terá início a negociação para a formação do executivo que governará o país na próxima legislatura. Até aqui nada de novo, não fosse esta negociação um território nunca antes explorado uma vez que envolve quatro partidos. Além disso, e talvez mais importante ainda, não existem no horizonte alternativas atraentes para a Alemanha.

Enquanto líder do partido mais votado, Angela Merkel vai gerir o processo para que cheguem a acordo os democratas-cristãos da CDU, os sociais-cristãos da CSU (União, preto), os liberais do FDP (amarelo) e os Verdes (verde). Terá de conciliar tendências políticas díspares e exigências específicas dos partidos que foram determinadas pelos resultados eleitorais. Há que ter em conta que a perda de votos que a União (CDU/CSU) sofreu não só fragilizou a sua capacidade de negociação como tornou o partido irmão da Baviera (CSU), mais conservador, pouco a favor do aliado democrata-cristão.

O partido chefiado por Horst Seehofer viu parte do eleitorado votar no partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) depois de ele se ter oposto abertamente à política de acolhimento de refugiados e migrantes defendida pela chanceler a partir de 2015, mas sem resultado.

Pelo seu lado, os liberais e os verdes opõem-se em assuntos como a regulação pelo Estado e questões sociais. Não faltam razões, portanto, para que as negociações possam vir a estender-se até janeiro.

Há temas consensuais para os partidos de acordo com o que descreve a Deutsche Welle: melhorar a educação e a infraestrutura digital do país, criação de habitação a custo possível, melhorar a situação das famílias e manter a linha da política externa defendida até agora, incluindo o papel central da Alemanha na União Europeia. A partir daqui podem esperar-se muitas áreas de discordância.