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Coligação da direita com a extrema-direita é o cenário mais provável para a Áustria nos próximos quatro anos

Sebastian Kurz

CHRISTIAN BRUNA / EPA

Aos 31 anos, o conservador Sebastian Kurz está à beira de ser o chanceler mais jovem da história. A vantagem da negociação para formar governo está nas suas mãos

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Ministro dos Negócios Estrangeiros aos 27 anos e presumível chanceler aos 31 resume o sucesso político de Sebastian Kurz, o líder do Partido Popular austríaco (ÖVP) mais votado nas eleições legislativas do passado domingo com 31,4% dos votos.

A postura e o slogan de Kurz, “Um estilo novo”, convenceram um eleitorado ávido de ver cumpridas as políticas que controlem a imigração no país. Kurz tornou este o tema principal da agenda da campanha eleitora e o ÖVP ultrapassou os 30% de intenções de voto apurados pelas sondagens, subindo 7,4% relativamente a 2013.

Outra surpresa da jornada eleitoral de domingo foi o resultado obtido pelo Partido da Liberdade (FPÖ) cujo resultado alterou a ordem de grandeza dos partidos austríacos. O FPÖ alcançou 27,4%, mais 6,9% do que em 2013 e ultrapassando o Partido Social Democrata (SPÖ), liderado pelo ainda atual chanceler Christian Kern, que ficou com a mesma votação do último escrutínio. Os mais castigados pelos votantes foram os verdes, que ficaram com apenas 3,3% dos votos, perdendo 9,1%.

Tal como aconteceu em 24 de setembro nas eleições gerais na Alemanha, espera-se que o partido mais votado forme agora coligação para governar em maioria. A Áustria passará muito provavelmente agora de um cenário de “centro” (governo de grande-coligação entre o Partido Popular e o Partido Social Democrata) para uma aliança da direita (ÖVP) com a extrema-direita (FPÖ).

Heinz-Christian Strache, “defensor da tradição na Áustria”, lidera o FPÖ desde 2005. Defende a proibição da islamização e quer fechar as fronteiras à entrada de migrantes e refugiados. Em janeiro deste ano, criticou duramente Sebastian Kurz, enquanto chefe da diplomacia do Governo que está prestes a cessar funções, por ter proposto a redução para “apenas” metade (de 35 mil em 2016 para 17 mil em 2017) do número de entradas de migrantes autorizadas na Áustria.

O Parlamento austríaco tem 183 assentos e a maioria de 92 poderá ser alcançada pela aliança de dois dos três partidos mais votados: o ÖVP obteve 61 assentos, o FPÖ 53 e o SPÖ 52. Sebastian Kurz poderá ainda escolher governar em minoria, porém as vantagens da negociação estão do seu lado.