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Internacional

Homem condenado a 430 anos de cadeia por matar onze mulheres

Os crimes, que envolveram exploração sexual maciça, integraram-se numa onda de feminicídios que chamou a atenção do mundo para a zona de Juárez, no México

Luís M. Faria

Jornalista

Um mexicano chamado Pedro Payán Gloria foi condenado esta terça-feira a 430 anos de cadeia pela morte de onze mulheres, entre 2009 e 2011. Os crimes integraram-se numa longa vaga de feminicídios que fez centenas de mortes ao longo de duas décadas e chamou a atenção do mundo para a zona de Vale de Juárez, junto à fronteira com o Texas.

Inicialmente, a dimensão do fenómeno gerou confusão, com possíveis explicações que iam desde o machismo cultural até às atividades de gangues na área, passando pela indiferença e a corrupção das autoridades locais. Todos esses fatores parecem ter desempenhado um papel, a avaliar pelo processo agora decidido. Payán Gloria obrigava-as a prostituir-se e a traficar drogas antes de as matar.

Como noutros casos semelhantes, as mulheres escolhidas para o horror eram geralmente de um certo tipo: novas, magras, de classes sociais desfavorecidas. Muitas vezes aliciadas com a promessa de um emprego legítimo – em mercearias ou lojas de roupa, como modelos, etc. –, eram drogadas e abusadas de várias formas. O agora condenado e os seus cúmplices mantinham-nas cativas num hotel em Ciudad Juárez, onde viviam em servidão sexual permanente.

"Assim que deixavam de ser úteis para as atividades ilegais, eram mortas e os corpos abandonados", disse a acusação. Os esqueletos das vítimas foram encontrados numa zona rural do Vale de Juárez, em 2012, mas, como noutras situações, foi preciso bastante pressão das famílias para que as autoridades investigassem devidamente as mortes. Esta condenação é a terceira do chamado 'caso do vale de Juárez', cujas sentenças já totalizam 1192 anos de cadeia.

Ficam registados os nomes das 11 onze vítimas de Payán Gloria: Perla Ivonne Aguirre González, Lizbeth Avilés García, Mónica Liliana Delgado Castillo, Andrea Guerrero Venzor, Beatriz Alejandra Hernández Trejo, Idaly Juache Laguna, Jessica Leticia Peña García, María Guadalupe Pérez Montes, Deysi Ramírez Muñoz, Jazmín Salazar Ponce e Jessica Terrazas Ortega.