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Hillary diz-se “enojada” com o assédio sexual de que é acusado um dos seus maiores doadores

JONATHAN ERNST/ Reuters

Harvey Weinstein, famoso produtor de cinema responsável por filmes como “A Paixão de Shakespeare”, “O Discurso do Rei” ou “O Paciente Inglês”, que está a ser acusado de chantagem e de assédio sexual ao longo de três décadas, era um grande financiador do Partido Democrata. Nas presidenciais de 2016, serviu de elo de ligação entre a equipa de Clinton e abastadas estrelas do cinema

Hillary Clinton disse que irá doar o dinheiro que recebeu de Harvey Weinstein para as suas campanhas, manifestando-se “chocada” e “enojada” com as relevações de que o famoso produtor de Hollywood terá levado a cabo chantagens e assédios sexuais ao longo de três décadas.

Eu fiquei abismada. É algo que é totalmente intolerável (…). Este é um lado diferente da pessoa que eu e muitos outros conheceram no passado”, declarou a ex-candidata às presidenciais pelo Partido Democrata, numa entrevista concedida à CNN, na quarta-feira, e que será transmitida na íntegra no domingo.

Uma longa investigação da publicação “The New Yorker” apurou que Weinstein assediou mais de uma dezena de mulheres desde os anos 1990 até 2015 e terá chegado a acordo com pelo menos oito vítimas para que não revelassem os seus casos. A atriz Ashley Judd foi uma das suas vítimas. Mas desde que o caso foi divulgado outras indicaram que também foram assediadas pelo produtor, entre as quais Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow.

Weinstein era, há muito, um grande financiador do Partido Democrata e durante a campanha presidencial de 2016 serviu de elo de ligação entre a equipa de Clinton e abastadas estrelas de cinema.

Para além disso, os Clinton foram seus vizinhos em Hamptons, uma luxuosa zona balnear do estado de Nova Iorque, tendo alugado uma casa ao lado da sua em 2015. A ex-candidata presidencial e ex-secretária de Estado disse mesmo que o considerava um “amigo”.

Eu, seguramente, não sabia [dos casos de assédio sexual] e eu não sei de quem sabia”, declarou à CNN.

Clinton demorou cinco dias até se pronunciar sobre o escândalo, o que gerou alguma consternação entre membros do seu partido, tendo começado por o fazer numa declaração divulgada através da sua porta-voz em que indicou estar “chocada” e “abismada” com as revelações.

No total, Weinstein terá ajudado a angariar 1,5 milhões de dólares (1,3 milhões de euros) para campanhas de Clinton.

Declarando que não será possível devolver esse dinheiro, Hillary disse, na entrevista à CNN, que o irá doar: “O que outras pessoas estão a dizer, o que os meus antigos colegas estão a dizer, é que eles vão doar o dinheiro para a caridade, e claro que vou faze-lo (…). Eu dou 10% dos meus rendimentos para a caridade todos os anos, e isso será parte dessa verba. Não há… não há qualquer dúvida em relação a isso”.