Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Estados Unidos saem da UNESCO

LOIC VENANCE/GETTY

Donald Trump havia criticado anteriormente a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, considerando ser anti-israelita

Os Estados Unidos vão sair da UNESCO por considerarem que a organização das Nações Unidas é anti-israelita, foi esta quinta-feira anunciado.

Em comunicado, o Departamento de Estado diz ter notificado a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, da decisão de se retirar da organização e de procurar, em vez disso, “um estatuto de observador” para contribuir com as perspetivas e conhecimentos dos EUA em alguns assuntos que considera importantes, como o património mundial, a defesa da liberdade de imprensa e a promoção da colaboração científica e educação.

“Esta decisão não foi tomada de ânimo leve e reflete as preocupações dos EUA com os atrasos crescentes na UNESCO, a necessidade de uma reforma fundamental da organização e o permanente preconceito anti-Israel” na organização, pode ler-se no comunicado, que indica que a saída irá concretizar-se a 31 de dezembro de 2018, permanecendo até lá como membro de pleno direito

Os Estados Unidos já tinham deixado de financiar a organização após ter sido aprovada a integração da Autoridade Palestiniana entre os seus membros, em 2011. Mas o Departamento de Estado mantinha um gabinete na sede da organização, em Paris.

Atualmente, Washington deve cerca de 550 milhões de dólares (465 milhões de euros) à instituição.

Washington tinha avisado no início de julho da sua intenção de reexaminar a sua ligação à UNESCO após a decisão de declarar a cidade velha de Hébron, na Cisjordânia ocupada, "zona protegida" do património mundial.

A embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley, qualificou então a decisão de "afronta à História" e considerou que lança "ainda mais descrédito sobre uma agência da ONU já altamente discutível".

A diretora-geral da UNESCO reagiu ao anuncio desta quinta-feira declarando "lamentar profundamente" a decisão norte-americana. "A universalidade é essencial à missão da UNESCO para construir a paz e a segurança internacionais face ao ódio e à violência, pela defesa dos direitos humanos e da dignidade humana", disse Bokova em comunicado.

O anúncio da saída ocorre numa altura em que a UNESCO está a votar para a escolha de um novo diretor.