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Internacional

Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow também acusam famoso produtor de assédio sexual

A condenação geral a Harvey Weinstein já ultrapassou os atores e atrizes para incluir vozes como a do ex-Presidente Barack Obama

Luís M. Faria

Jornalista

Após as acusações de assédio sexual feitas a Harvey Weinstein num longo artigo do diário "New York Times" há uma semana, mais atrizes acusam o poderoso produtor. Angelina Jolie é uma delas: "Tive uma má experiencia com Harvey Weinstein na minha juventude, e como resultado escolhi nunca mais voltar a trabalhar com ele e avisar outras quando o faziam", disse ela agora. "Este comportamento em relação às mulheres em qualquer área, em qualquer país, é inaceitável", reforçou.

Outra atriz famosa, Gwyneth Paltrow, acaba igualmente de partilhar uma história sobre Weinstein. Quando ela tinha 22 anos e estava prestes a protagonizar o filme que catapultaria a sua carreira, "Emma", o produtor quis obrigá-la a contactos intimos. Ela recusou e contou ao seu namorado da altura, o ator Brad Pitt, que confrontou o produtor e lhe disse para nunca mais voltar a tocar em Paltrow. Furioso, Weinstein telefonou a Paltrow e disse-lhe aos gritos para ela não andar a contar a história.

Rosanna Arquete, Rose McGowan e as atrizes francesas Léa Seydoux e Judith Godrèche, entre outras, também contaram cenas do género. O produtor, cuja reputação lhe vinha de ser responsável por filmes lendários como "Pulp Fiction", tinha formas de atuar que se repetiam. Convidava jovens em início de carreira, portanto especialmente vulneráveis, para quartos de hotel ou outros locais privados, a pretexto de discutir trabalho. O encontro começava de forma aparentemente profissional, com uma assistente muitas vezes presente ao início, o que dava alguma tranquilidade à jovem atriz.

Em Hollywood é assim que se faz, dizia

Essa terceira pessoa depressa se ia embora, e então Weinstein começava os seus avanços. Pedia à jovem que lhe fizesse uma massagem (toda a gente em Hollywood faz isso, garantia) ou despia-se e tentava mexer-lhe. Quando ela resistia, ameaçava-a de que nunca mais trabalharia no cinema. Pelo menos num caso, exigiu à mulher que ficasse quieta a vê-lo enquanto se masturbava. Noutros casos, terá obrigado mulheres a fazer-lhe sexo oral, ou a deixar que ele o fizesse a elas.

Perante as críticas que têm chovido sobre Harvey Weinstein, vindas de atores e de personalidades como o ex-Presidente Barack Obama – o produtor foi um grande apoiante de políticos democratas – Weinstein foi há dias despedido da sua própria companhia, a Miramax. E a sua mulher, a designer de moda Georgina Chapman, considerou imperdoáveis as suas ações e anunciou que se ia sair de casa com os dois filhos menores pedir o divórcio. “O meu coração está partido por todas as mulheres que sofreram uma tremenda dor", confessou.

Neste momento, discute-se se toda a gente no meio não conhecia há muito tempo os comportamentos de Weinstein. Meryl Streep garante que não. Uma porta-voz do produtor, entretanto, negou parte da história: "Quaisquer alegações de sexo não consensual são inequivocamente negadas por Harvey Weinstein. O senhor Weinstein confirmou também que nunca houve atos de retaliação contra quaisquer mulheres que tenham recusado os seus avanços".

A mesma porta-voz acrescentou: "Ele não estará disponível para mais comentários, pois vai tirar tempo para se dedicar à sua família, receber aconselhamento e reconstruir a sua vida". Weinstein terá viajado para a Europa. Paltrow resume as coisas, exige uma mensagem clara de que tudo mudou, e resume: "Esta maneira de tratar as mulheres acaba agora".