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Internacional

Senador republicano chama à atual Casa Branca “um centro de dia” e diz que Trump pode desencadear uma III Guerra Mundial  

Win McNamee/GettyImages

É o último ex-aliado de Donald Trump a desentender-se com ele, numa altura em que uma sondagem atribui ao Presidente norte-americano apenas 32% de aprovação

Luís M. Faria

Jornalista

O senador republicano Bob Corker não é o primeiro aliado de Donald Trump a ter um desentendimento com ele. Tendo apoiado o bilionário durante a campanha presidencial, o senador vem exprimindo dúvidas sobre a sua capacidade para exercer o cargo desde há meses. Ultimamente, com o senador mais à vontade após a decisão de não se recandidatar no próximo ano – o que o liberta de ter de pedir o apoio do Presidente e da máquina do seu partido – a troca de galhardetes entre os dois está a atingir uma intensidade invulgar.

A semana passada, numa entrevista, Corker disse que três membros seniores do Governo – Jim Mattis, John Kelly e Rex Tillerson, respetivamente secretário de estado da Defesa, chefe de gabinete e secretário de Estado – eram “tudo aquilo que separa o nosso país do caos”. Sugeriu igualmente que pelo menos um deles, Tillerson, estará numa “posição incrivelmente frustrante” ao tentar gerir a política externa de um Presidente que faz declarações que o contradizem (em relação ao acordo nuclear com o Irão, por exemplo).

Furioso, Trump respondeu no Twitter: “O senador Bob Corker ‘suplicou-me’ que apoiasse a sua reeleição no Tennessee. Eu disse ‘NÃO’ e ele desistiu (disse que não conseguiria ganhar sem o meu apoio). Ele também queria ser secretário de Estado. Eu disse ‘NÃO OBRIGADO’. Ele também é largamente responsável por aquele horrível acordo com o Irão! Portanto, espero que Corker seja uma voz negativa e se ponha a bloquear o nosso grande programa. Não teve coragem para concorrer!”.

"Alguém faltou ao seu turno"

Corker recorreu igualmente ao Twitter para reagir: “É uma vergonha que a Casa Branca se tenha tornado um centro de dia para adultos. Alguém faltou obviamente ao seu turno”. Domingo, noutra entrevista, Corker disse que Trump tratava o seu cargo como um reality-show, fazendo ameaças a outros países que corriam o risco de levar a uma III Guerra Mundial.

A guerra está para durar, aparentemente. E quem deverá perder mais com ela é Trump. Com uma minoria exígua no Senado e taxas de aprovação pública que uma sondagem estima em 32%, o Presidente precisa de todos os votos para fazer passar a reforma fiscal que deseja. Quaisquer eventuais sanções ao Irão também dependem dele em parte. Além disso, Corker é peça-chave na aprovação de nomeações para altos cargos na administração. Se Trump despedir mesmo Tillerson, como muitos preveem, o seu substituto terá de ter o voto de Corker. A julgar pelos eventos em curso, não vai ser fácil.