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Futebolista e ex-senhor da guerra disputam presidência da Libéria

Chris Hondros/GETTY

Vinte candidatos apresentam-se às eleições de terça-feira no país africano fundado há 200 anos por escravos americanos libertados. A pacificação da Libéria foi um dos grandes feitos de Ellen Johnson-Sirleaf, a Nobel Paz que abandona a presidência por ter chegado ao limite de dois mandatos

O futebolista George Weah, antiga estrela do A.C. Milan; o ex-senhor da guerra Joseph Boakai, protagonista do conflito que assolou a Libéria durante 14 anos; e o vice-Presidente Jospeh Nyuma Boakai são os três principais candidatos, numa lista de 20, às eleições presidenciais que se realizam terça-feira naquele país da África Ocidental.

As eleições vão marcar a passagem de poder de Ellen Johnson-Sirleaf, a Nobel da Paz de 78 anos, conhecida no país como Ma Ellen, que conclui o segundo mandato de seis anos, alcançando o limite definido pela Constituição. A pacificação da Libéria e o crescimento da Economia figuram entre os principais feitos daquela que foi a primeira mulher Presidente de um Estado africano moderno. A Libéria continua, contudo, a ser um dos países mais pobres do mundo.

“Para mim, a única coisa válida desta administração é a paz. Dou-lhe crédito nessa área”, comentou Timothy Sambulah, taxista na capital, Monróvia, citado pela agência Reuters. “Ela não conseguiu combater a corrupção. Não foi capaz de lidar com as pessoas que ficaram com dinheiro para construir as suas grandes casas”, acrescentou.

“Votei em Ma Ellen em 2005 e 2011, na esperança de que viéssemos a ter educação gratuita e alimentação a preços acessíveis. Mas isso não aconteceu”, critica Tamba, uma mulher de 34 anos, mãe de quatro filhos, também ouvida em Monróvia, neste caso pela Bloomberg.

O filho da Presidente cessante, Robert Sirleaf, dirigiu a petrolífera estatal NOCAL, que faliu em 2015 após a queda dos preços do petróleo. Charles, o seu outro filho, foi um dos responsáveis governamentais suspensos em 2012 por não terem declarado os seus bens às autoridades anticorrupção.

É pouco provável que as eleições sejam decididas já na votação de terça-feira, devendo a presidência ser decidida entre os dois candidatos mais votados. A segunda volta está marcada para novembro. Weah já foi candidato em 2005, o primeiro ano em que Johnson-Sirleaf foi eleita.