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Massacre em Las Vegas. Namorada do atirador já está nos EUA para ser ouvida pelo FBI

EPA

Marilou Danley, de 62 anos, deixou na terça-feira à noite as Filipinas, país para onde o autor do ataque transferiu 100 mil dólares dias antes do tiroteio

O autor do ataque de Las Vegas transferiu 100 mil dólares (mais de 85 mil euros) para as Filipinas dias antes do tiroteio, disse à agência Associated Press um dirigente norte-americano, e planeou o massacre meticulosamente, colocando câmaras no visor da porta do quarto de hotel e no corredor, informaram as autoridades. O xerife do condado de Clark, Joseph Lombardo, recusou, no entanto, confirmar que essa transferência tenha sido realizada.

O FBI está agora a interrogar a namorada do atirador, para esclarecer o que poderá a mulher saber sobre o ataque. Marilou Danley, de 62 anos, deixou precisamente as Filipinas na terça-feira à noite, rumo a Los Angeles.

Apesar de ser considerada “uma pessoas de interesse” para a investigação, Danley não está detida, o FBI esperava que ela aceitasse voluntariamente ser inquirida.

De acordo com relatos entretanto publicados, os funcionários de um café de Mesquite, no Nevada, que serviam quase diariamente Stephen Paddock e a sua namorada, dizem que o ávido jogador de casino responsável pelo pior tiroteio em massa da História moderna dos EUA abusava verbalmente dela em público e que era "rude" e "mau" para a equipa do Starbucks do casino Virgin River. "Acontecia muitas vezes", revelou ao "Los Angeles Times" Esperanza Mendoza, a supervisora do estabelecimento. "Ele parecia que nunca dormia, estava sempre com grandes olheiras." Outro funcionário diz que "ele nunca deixava a namorada falar".

Perceber o que levou Stephen Paddock a realizar o massacre, que custou a vida a 59 pessoas, continua a ser um dos objetivos da polícia. O agente reformado do FBI Jim Clemente, especializado em perfis, afirmou que pode ter surgido “algum tipo de gatilho na sua vida - uma grande perda, o fim de uma relação, ou talvez tenha descoberto que tinha uma doença terminal”.

Clemente considera ser necessário realizar uma "autópsia psicológica" para desvendar o motivo. Se o suicídio não tiver destruído o cérebro do atacante, os especialistas poderão mesmo encontrar algum tipo de desordem neurológica.

Os investigadores continuam, por outro lado, a tentar localizar o dinheiro e estão a analisar pelo menos uma dúzia de relatórios financeiros das últimas semanas, que indicam que Paddock apostava mais de 10 mil dólares por dia (cerca de 8500 euros).

As câmaras que Paddock colocou no hotel Mandalay Bay faziam parte do seu extenso plano de preparação, que incluiu o armazenamento de quase duas dúzias de armas no quarto, antes de abrir fogo sobre o concerto. As câmaras estavam instaladas no visor da porta do quarto e no carrinho de serviço de quartos, parado no corredor.

Além das câmaras, os investigadores encontraram no quarto de hotel um computador, 23 armas e um dispositivo que permite que uma espingarda dispare continuamente, como uma arma automática. Outras 19 armas foram encontradas na casa de Paddock em Mesquite e sete na casa de Reno.

Mais de 500 pessoas ficaram feridas o massacre, algumas atingidas por tiros, outras feridas ao tentarem escapar entre o caos. Pelo menos 45 pessoas, em dois hospitais, permanecem em estado crítico.