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Internacional

Erdogan vai ao Irão tentar fortalecer uma “frente” anticurda

Sean Gallup/GETTY

A visita do Presidente da Turquia ao Irão já estava prevista desde agosto e tinha como principal objetivo o desenvolvimento de esforços conjuntos contra o autodenominado Estado Islâmico (Daesh), mas a reação ao referendo pela independência do Curdistão iraquiano ganhou entretanto primazia

O Presidente turco Recep Tayyip Erdogan inicia esta quarta-feira uma visita ao Irão irão em que irá manter conversações com o seu homólogo, Hassan Rouhani, e com o Líder Supremo, Ayatollah Ali Khamenei, no sentido de estabelecer um “frente” que contenha as aspirações dos curdos iraquianos que expressaram-se a favor da independência do Iraque no referendo de 25 de setembro.

A visita do Presidente da Turquia ao Irão já estava prevista desde agosto e tinha como principal objetivo o desenvolvimento de esforços conjuntos contra o Daesh, mas a reação ao referendo ganhou entretanto primazia.

Massoud Barzani, líder do Governo Regional do Curdistão, disse que a votação não era vinculativa, destinando-se a legitimar o mandato para negociar com Bagdade e com os países vizinhos a secessão do Iraque da região controlada pelos curdos. Mas a votação não foi reconhecida quer pelo Iraque, que a declarou inconstitucional, nem pelos países vizinhos, que temem que a iniciativa possa fazer crescer as aspirações similares das minorias curdas que habitam nos seus territórios.

Antes da deslocação de Erdogan ao Irão, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco fez saber na terça-feira que pretende que o regime iraquiano assuma o controle da região do Curdistão, nomeadamente das fronteiras com o resto do país e com a Turquia.

Após o referendo, Erdogan já ameaçara isolar Erbil, a capital da região, bloqueando os oleodutos usados para a exportação de petróleo para outros países e que passam pela Turquia e vedando o acesso de camiões que transportam bens essenciais para a região.

Antes da realização do referendo tanto a Turquia como o Irão levaram a cabo exercícios militares nas zonas de fronteira dos seus países com a região do Curdistão iraquiano. A Turquia tem também estacionados milhares de militares no norte da Síria.