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Parlamento Europeu só quer próxima fase quando houver um “grande avanço” nas negociações de saída

Barnier mantém que ainda não houve “progressos suficientes” para se começar a discutir o futuro

AFP

Em declarações aos eurodeputados esta terça-feira de manhã, o negociador da Comissão Europeia voltou a repetir que ainda não foram alcançados “progressos suficientes” nos encontros com os britânicos

As principais famílias políticas do Parlamento Europeu apresentaram uma moção que deverá ser aprovada esta terça-feira na qual é sugerido que a próxima fase das negociações do Brexit, sobre a futura relação do bloco a 27 com o Reino Unido, só deve começar quando for alcançado um “grande avanço” nas discussões com os britânicos sobre a sua saída da União Europeia, que tem de estar concluída em março de 2019.

Na abertura do plenário, Michel Barnier, o homem escolhido pela Comissão Europeia para liderar as negociações com o Governo de Theresa May, voltou a declarar, esta manhã, que ainda não houve “progressos suficientes” no que toca às questões fraturantes da separação, entre elas os direitos dos cidadãos da UE que vivem em solo britânico, a questão da fronteira irlandesa e o dinheiro que os britânicos se comprometeram a alocar ao Orçamento comunitário até 2020, a chamada ‘fatura do divórcio’.

Apesar disso, Barnier referiu aos eurodeputados que o discurso de May em Florença “trouxe alguma abertura que está a começar a refletir-se nas negociações”. O Reino Unido continua a defender que as discussões sobre as futuras trocas comerciais com os 27 devem decorrer a par das negociações de saída e insiste que há agora uma nova dinâmica e “um momentum real” no processo que está a decorrer em Bruxelas desde março.

Durante o debate em Estrasburgo, uma série de eurodeputados chamaram a atenção para o que dizem ser as claras divisões dentro do Governo conservador e no gabinete de Theresa May sobre a melhor rota do Brexit. Entre eles contou-se Manfed Weber, alemão do Partido Popular Europeu (PPE), que deixou a questão: “Com quem é que eu falo em Londres? Com Theresa May, com Boris Johnson ou David Davis? Por favor não ponham o partido em primeiro lugar”, pediu ao Governo britânico. Note-se que, ao contrário da primeira-ministra e de Philip Hammond, o seu chefe do Tesouro, o chefe da diplomacia, Boris Johnson, e o ministro do Brexit, David Davis, defendem uma saída mais dura sem concessões a Bruxelas.

Esta tarde, os eurodeputados deverão aprovar a moção na qual declaram que a estratégia do Reino Unido face às suas obrigações financeiras “está a impedir seriamente” que haja progressos nas negociações. Fontes dizem que o documento que vai a votos foi redigido antes da mais recente ronda de negociações em Bruxelas, que teve lugar na semana passada e que terminou com Barnier a repetir os avisos de que ainda não houve “progressos suficientes” para se poder discutir o futuro pós-Brexit. Essa mesma ideia foi sublinhada por Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, há alguns dias.

No plenário que antecedeu a votação desta tarde, Nigel Farage, o ex-líder do partido nacionalista britânico UKIP que fez campanha pela saída da UE, acusou o bloco europeu de estar a “tratar [o Reino Unido] como um refém”. “A menos que paguemos o resgate e que cumpramos as exigências [do bloco] não teremos uma conversa inteligente sobre trocas nem quaisquer garantias de que as nossas exigências ser-nos-ão garantidas para obtermos um acordo comercial sensato.”

O Parlamento Europeu e os seus 751 deputados não desempenham qualquer papel formal nas negociações do Brexit mas serão chamados a aprovar ou a chumbar o acordo final de saída que Bruxelas alcançar com o Reino Unido. O voto desta terça-feira não é vinculativo mas, como refere o correspondente da BBC em Estrasburgo, é uma oportunidade para “tirar a temperatura política” ao processo.