Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Massacre em Las Vegas. Atirador tinha 23 armas automáticas consigo e outras 19 em casa

Drew Angerer / Getty Images

Autoridades continuam a tentar perceber o que levou Stephen Paddock a executar o pior tiroteio em massa na História dos EUA, que provocou pelo menos 59 mortos e 527 feridos. Casa Branca diz que é “prematuro” debater mais controlos à posse e venda de armas de fogo

O homem que, no domingo à noite, se instalou no 32.º andar do Hotel Mandalay Bay, em Las Vegas, e abriu fogo contra o recinto de um festival de música country que estava a decorrer nos jardins desse hotel, matando 59 pessoas e ferindo 527, tinha pelo menos 42 armas em sua posse, 23 delas no quarto de onde lançou o ataque. Este foi o pior massacre com armas de fogo da História dos EUA, mas a Casa Branca mantém que é “prematuro” discutir políticas de controlo de armamento enquanto não se conhecerem todos os pormenores deste “ato de pura maldade”, como o Presidente Donald Trump descreveu o tiroteio.

Numa conferência de imprensa ao final de segunda-feira, o xerife Todd Fasulo, assistente da esquadra do condado de Clark, anunciou que já não existem ameaças na área, depois de horas antes o agente especial do FBI Aaron Rouse, responsável por investigar o caso, ter garantido que Stephen Paddock, 64 anos, não tinha “quaisquer ligações a grupos de terrorismo internacional” e que agiu sozinho — isto apesar de o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) se ter tentado aproveitar dos acontecimentos, garantindo que o norte-americano se tinha convertido ao Islão “há alguns meses” e que agiu inspirado pela ideologia extremista do grupo.

Segundo Fasulo, depois de Paddock se ter suicidado ao perceber que estava prestes a ser detido por equipas SWAT, as autoridades recuperaram “pelo menos 23 armas de fogo” na suite do Mandalay onde se instalou e outras 19 na sua casa na cidade de Mesquite, num bairro de reformados a cerca de 120 quilómetros de distância da mais famosa cidade do Nevada.

O xerife Joseph Lombardo acrescentou que foram igualmente encontrados explosivos e milhares de munições ao lado de Paddock, bem como “alguns equipamentos eletrónicos” que a polícia ainda estava a analisar ao final de segunda-feira. Horas antes, depois de buscas pelo veículo do atirador, a polícia já tinha encontrado nitrato de amónio no interior do carro, um fertilizante usado para fabricar bombas caseiras. O suspeito, explicou ainda Lombardo, transportou as armas consigo para dentro do hotel e usou “um instrumento parecido com um martelo” para partir a janela da suite de onde lançou o sangrento ataque contra o recinto do festival Route 91 Harvest, durante o concerto de encerramento.

As autoridades continuam a tentar apurar o que levou o homem de 64 anos sem antecedentes criminais nem ligações a grupos terroristas internacionais a executar este massacre. No mínimo, o facto de não ter cadastro explicará porque é que conseguiu passar em todos os mecanismos de verificação a que os compradores de armas estão sujeitos na maior parte do território norte-americano, como Paddock conseguiu segundo as duas lojas do Nevada que já assumiram ter-lhe vendido armamento e munições.

Alguns investigadores já sugeriram, sob anonimato, que Paddock poderia sofrer de distúrbios psicológicos, uma teoria que não foi confirmada e que, de resto, costuma ser tubo de escape para explicar ataques domésticos desta natureza, que fazem sempre renascer o debate público sobre a falta de controlos na venda e posse de armas de fogo no país. No estado do Nevada, os tiroteios em massa são legalmente equiparados a “atos de terrorismo”.