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Internacional

EUA expulsam 15 diplomatas cubanos após “ataques de natureza desconhecida”

JIM LO SCALZO/EPA

Expulsões devem-se à “incapacidade de Cuba de tomar as medidas adequeadas para proteger” os funcionários norte-americanos na embaixada de Havana. Foi dado um prazo de sete dias para a retirada dos diplomatas cubanos

Helena Bento

Jornalista

Depois de ter retirado mais de metade dos seus diplomatas de Havana, devido aos “ataques de natureza desconhecida” que continuam envoltos em mistério, os EUA anunciaram a expulsão de 15 diplomatas cubanos do país.

Em comunicado divulgado esta terça-feira, Rex Tillerson, secretário de Estado, explica que as expulsões devem-se à “incapacidade de Cuba de tomar as medidas adequeadas para proteger” os diplomatas norte-americanos. Tillerson justifica ainda a decisão com a necessidade de “assegurar a equidade” da presença diplomática dos dois países e garante que as relações entre Havana e Washington não estão em causa.

Apesar de não responsabilizarem diretamente Cuba por aquilo que foi já descrito como um ataque com ondas sónicas, que afetou a saúde de funcionários da embaixada dos Estados Unidos na capital cubana, Washington considera que Havana não tem feito o suficiente para garantir a segurança dos seus diplomatas, referiu uma fonte do Departamento de Estado ao “Washington Post”. Foi dado um prazo de sete dias a Cuba para retirar os funcionários.Na semana passada, os Estados Unidos anunciaram a saída de mais de metade dos seus diplomatas de Havana, devido ao alegado “ataque sónico” que, nos últimos dez meses, causou tonturas, perda de audição, dores de cabeça, fadiga, dificuldades cognitivas e dificuldade em dormir em 22 diplomatas norte-americanos (o mais recente caso ocorreu em agosto).

Na altura, foi também emitido um aviso aos cidadãos dos EUA para não viajarem para Cuba devido à existência de “riscos invulgares”. Tem sido considerada a possibilidade de alguns funcionários terem sido atingidos enquanto se encontravam nas suas residências ou em hotéis. “Acreditamos que todos os cidadãos americanos estão em risco”, disse, então, Rex Tillerson.

O governo Cubano considerou as medidas “precipitadas” e admitiu que podem vir a afetar as relações entre os dois países, embora tenha manifestado vontade de continuar a cooperar com os EUA nas investigações. “Para o esclarecimento total dos factos, será essencial ter e contar com a participação e envolvimento efetivo das autoridades dos Estados Unidos”, afirmou Josefina Vidal, diretora-geral para os EUA no Ministério dos Negócios Estrangeiros cubano, acrescentando que Cuba “cumpre séria e rigorosamente as suas obrigações para com a Convenção de Viena” relativamente à proteção de diplomatas.

As investigações prosseguem mas ainda pouco se sabe sobre este misterioso caso. Alguns especialistas especularam já sobre o uso de algum tipo de arma sónica. Outros defenderam que, por detrás do ataque, poderá ter estado um dispositivo de vigilância defeituoso.