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Base indiana em Caxemira alvo de ataque suicida

TAUSEEF MUSTAFA / AFP / Getty Images

Testemunhas dizem que pelo menos três homens estiveram envolvidos no ataque a um posto paramilitar das forças indianas na disputada região fronteiriça. Dois dos militantes e um soldado morreram, com outros dois soldados a sofrerem ferimentos

Militantes suicidas atacaram um posto paramilitar das forças indianas em Srinagar, na disputada região de Caxemira, esta terça-feira de madrugada. O ataque resultou na morte de dois suspeitos e de um soldado das Forças de Segurança de Fronteira (BSF), com outros dois soldados a ficarem feridos, avançaram as autoridades.

O ataque começou por volta das 4h da manhã locais (22h30 de segunda-feira em Portugal Continental). Testemunhas no local dizem que foi executado por três homens. As autoridades ainda estão à procura do terceiro suspeito perto do aeroporto internacional de Srinagar, uma área fortemente patrulhada. No rescaldo do incidente, todos os voos de e para aquele aeroporto foram suspensos, com as operações de aviação a serem retomadas horas depois. As estradas que conduzem ao aeroporto também já reabriram.

“Os militantes invadiram o campo e barricaram-se num edifício administrativo”, relatou à BBC Urdu um militar indiano. “Pelo menos um militante ainda está escondido na messe de oficiais.” As autoridades indianas ainda não confirmaram as identidades dos atacantes, mas o grupo islamita Jaish-e-Mohammad já assumiu a autoria do ataque.

Caxemira, uma região de maioira muçulmana localizada entre a Índia e o Paquistão, é reivindicada pelos dois países, com diferentes partes controladas por um lado e pelo outro. Em 1989, eclodiu uma revolta armada na região contra o poderio indiano — episódios que voltaram a repetir-se ao longo de vários meses depois da morte de Burhan Wani, um popular líder dos militantes muçulmanos, em julho de 2016.

O ataque desta terça-feira veio alarmar as agências de segurança indianas, refere o correspondente da BBC Urdu, Riyaz Masroor — isto depois de, em setembro, um suspeito militante ter matado três pessoas em Tral e de um agente da polícia indiana ter sido linchado em Srinagar três meses antes.

A Índia continua a responsabilizar o Paquistão por estes ataques, acusando o país de incitamento à violência contra indianos. Islamabade continua a refutar as alegações. Recorde-se que, das três guerras travadas entre as duas potências nucleares nas últimas décadas, duas foram centradas na questão de Caxemira. No início de setembro, um comandante do Exército indiano alertou para a possibilidade “real” de o país vir a envolver-se numa guerra com a China da qual os paquistaneses poderão tirar proveito com vista a ocuparem toda a região.