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Rajoy: “Eu é que sou o presidente do Governo de Espanha”

Sem referir-se aos incidentes com a polícia, o primeiro-ministro espanhol afirmou que os únicos culpados pela crise catalã são os governantes regionais que violam a Constituição.

O primeiro-ministro espanhol reagiu aos acontecimentos de hoje na Catalunha com uma declaração que, embora prometendo diálogo, estabeleceu fortes limites a qualquer entendimento. “Sou o presidente do Governo de Espanha”, disse Mariano Rajoy, por duas vezes, numa intervenção de 20 minutos, sem perguntas, no palácio da Moncloa (sede do Executivo espanhol).

Sem qualquer menção aos incidentes ocorridos durante as intervenções policiais de hoje, o líder do Partido Popular (direita) assegurou que Espanha é uma “democracia amável e tolerante, mas firme e determinada”. E elogiou a atuação das forças da lei. “O Estado de direito mantém a sua força e vigência, responde a quem o contravém, reage face a quem o quer subverter e atua com todos os recursos legais perante qualquer tipo de provocação, com eficácia e serenidade”, afirmou, sem se referir aos 761 feridos da polémica jornada.

Reiterando que não houve referendo nem “nenhum tipo de consulta”, apenas uma encenação, garantiu que os únicos culpados a apontar são…, que “vulneraram os direitos mais fundamentais e ultrapassaram os limites do decoro democrático mais elementar”.

Apontando o dedo ao governo regional do separatista Carles Puigdemont, disse que “burlas” e “abusos” não podem “passar por exercícios democráticos”. Rajoy mencionou a burlesca sessão do parlamento regional de 6 de setembro, em que a maioria de deputados separatistas (que não foram eleitos por uma maioria de eleitores catalães) quis “cancelar a Constituição”, ao aprovar o referendo e leis de transição nacional “Não procurem mais culpados, pois não os há”, sentenciou.

Rajoy vai ao Congresso para dialogar

O primeiro-ministro garantiu que “a grande maioria do povo da Catalunha não alinhou no guião” dos independentistas, resistindo “às piores práticas populistas”. Agradeceu-lhes, bem como a juízes e procuradores e ainda aos partidos espanhóis que apoiaram o Governo na rejeição das pretensões catalãs: o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e os Cidadãos (C’s, centro liberal).

Quanto ao futuro, Rajoy promete “diálogo real” em que todos sejam ouvidos e lembra que os espanhóis sempre foram “capazes de superar divergências que pareciam inultrapassáveis”. “Não fecho nenhuma porta, nunca o fiz”, insistiu, enquadrando qualquer diálogo “no âmbito da lei e da democracia” e desde que os separatistas “renunciem a dar mais passos”. Para restabelecer a normalidade institucional, o governante promete ir ao Congresso dos Deputados e convocar todas as forças com representação parlamentar para resolver uma crise constitucional e territorial.