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Referendo na Catalunha: Madrid acusa independentistas de usarem "menores e idosos" como escudos

Pablo Blazquez Dominguez

Ministério do Interior fez comunicado para alertar para "irresponsabilidade" dos independentistas e manobras para travar forças de segurança que têm como missão impedir a realização do referendo de amanhã. Puigdemont pede mediação

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

O Ministério do Interior espanhol denunciou, em comunicado, que em alguns locais com assembleias de voto destinadas ao referendo independentista de domingo na Catalunha "estão a ser usados menores e pessoas idosas com a única finalidade de impedir uma possível atuação das forças de segurança".

Para o Governo de Madrid, isto "demonstra a irresponsabilidade tanto dos dirigentes da Generalitat como das organizações a favor da independência" da Catalunha, noticia o El Espanõl.

Nas últimas horas, as entidades oficiais da Catalunha mobilizaram-se para aumentar o número de escolas ocupadas na véspera do referendo sobre a independência da região, considerado ilegal pelo Tribunal Constitucional espanhol.

A plataforma Escolas Abertas, que visa garantir que colégios e centros cívicos sejam locais de votação a 01 de outubro, estão a mobilizar voluntários na área metropolitana de Barcelona, que concentra a maioria dos votantes.

Respondendo ao apelo e em articulação com outras plataformas pró-referendo, dezenas de pessoas concentraram-se hoje diante da Escola Industrial de Barcelona para assegurar o controlo das instalações como local de votação.

Também hoje à tarde o grupo de música pop catalão Mishuma iniciou uma ronda de atuações em quatro colégios de Barcelona, incentivando as pessoas a passarem a noite nas escolas.

Puigdemont pede mediação

O presidente do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, por sua vez, apelou hoje a uma mediação para o conflito político e institucional com o governo central de Madrid.

O governo espanhol e o Tribunal Constitucional do país consideraram ilegal a realização da consulta popular nos termos propostos pelo governo catalão, uma vez que a Lei Fundamental espanhola apenas permite referendos abertos à participação de todos os espanhóis.

Puigdement, que insistiu em avançar com o referendo apesar das sucessivas decisões contra, da justiça, defende agora uma mediação para o conflito, mas sem indicar qualquer instituição.

"Nós devemos exprimir uma vontade clara de dispor de uma mediação seja qual for o cenário, quer ganhe o sim ou o não", declarou o presidente do Governo à agência francesa AFP.

Apesar de não referir especificamente qualquer instituição, o destinatário da mensagem parece ser a União Europeia (UE).

"Quem aceitar a responsabilidade por esta mediação sabe que pode contar com a vontade da parte catalã de participar e dialogar… E a partir desse momento seria lógico uma atitude ativa de acompanhamento e de interesse por parte da União Europeia", acrescentou.

No domingo, disse Puigdement, "o que não vai acontecer é irmos todos para casa e renunciar aos nossos direitos... o governo tudo fez para que tudo se desenrole de forma normal". Carles Puigdemont apelou aos catalães para que evitem todas as formas de violência.

Na mesma entrevista, Puigdemont reiterou que continua disposto a renunciar a este escrutínio considerado ilegal pela justiça, caso o governo de Mariano Rajoy (PP, direita conservadora) aceite abrir negociações que permitam um referendo legal.

No entanto, no passado, o governo regional catalão deixou claro que só aceita um referendo com votantes catalães, algo que a Constituição espanhola proíbe expressamente. Ou seja, qualquer discussão teria de começar numa revisão constitucional, algo que requer uma maioria de dois terços no parlamento.

"Se o Estado espanhol disser ‘vamos pôr-nos de acordo quanto a um referendo’... nós paramos já aqui. Evidentemente que esta é a via que todos os catalães apoiam", salientou Carles Puigdemont.

Um milhão de votantes será um “êxito exorbitante”

Hoje, em conferência de imprensa, no Centro Internacional da Mediapro, na avenida Diagonal, em Barcelona, o presidente da Assembleia Nacional Catalã, Jordi Sànchez, afirmou que chegar ao milhão de votantes será um “êxito exorbitante”, mesmo que a participação fique longe da consulta a favor do referendo independentista de 9 de novembro de 2014, ato que contou com 2,3 milhões de votantes.

A lado de Jordi Cuixart, líder da associação Òmnium Cultural, criada em 1961 em defesa da língua e cultura catalã, o presidente da ANC justificou a baixa nas expetativas face ao que denomina de estado de sítio, exercido pelas autoridades madrilenas. Os líderes pro-soberania da Catalunha admitiram hoje que poderão desconvocar o referendo de 1 de outubro, se hoje, antes da meia noite, o governo espanhol se comprometer a autorizar um referendo pacato.

Sànchez criticou o cerco do governo central e admitiu que “esta pressão pode ser difícil uma alta participação, já que ir votar pode converter-se num ato de heroísmo”. Segundo a Generalitat, o censos do referendo é de mais de 5,3 milhões de eleitores.