Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Costa quer Brasil e Índia como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU

tiago miranda

No seu discurso na sessão anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, o primeiro-ministro português, António Costa, sublinhou a importância de dar um novo “impulso” à reforma do Conselho de Segurança da ONU e reiterou a sua vontade de ver o português adotado como língua oficial das Nações Unidas. Costa garantiu ainda que Portugal cumprirá os seus compromissos no que diz respeito ao Acordo de Paris

Helena Bento

Jornalista

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Sublinhando a importância de dar um novo “impulso” à reforma do Conselho de Segurança da ONU, o primeiro-ministro português, António Costa, defendeu a inclusão de novos representantes. “O continente africano não pode deixar de ter uma presença permanente, e o Brasil e a Índia são dois exemplos incontornáveis”, afirmou o primeiro-ministro português, em nome de uma reforma do organismo que passe a dotá-lo de “uma representatividade acrescida do mundo atual”.

Costa frisou que “a concretização da paz sustentável exigirá maiores sinergias nas estruturas da organização e nas suas missões no terreno”. “A complexidade dos problemas globais que hoje enfrentamos impõe a necessidade de cultivar as parcerias, envolvendo não apenas os Estados, mas também as sociedades civis, as instituições financeiras internacionais, as entidades públicas e privadas”, acrescentou.

No seu discurso, esta quarta-feira, na sessão anual da Assembleia Geral da ONU, o primeiro-ministro reiterou a sua vontade de ver o português adotado como língua oficial das Nações Unidas, argumentando que “em meados deste século o português deverá contar com quase 400 milhões de falantes”, o que, de resto, tem já justificado “a sua elevação a língua oficial em diversos organismos internacionais”.

Enumerando alguns dos principais conflitos e crises que estão na ordem do dia, nomeadamente as “ameaças provindas da Coreia do Norte”, a situação na Líbia e na Síria, e o conflito israelo-palestiniano, o primeiro-ministro português defendeu que a comunidade internacional deve procurar perseguir uma “diplomacia para a paz”. “A unidade e firmeza da comunidade internacional, organizada nas Nações Unidas, na defesa do Direito e na promoção da estabilidade, é o que nos torna mais capazes de avançar numa ordem internacional mais justa”, afirmou Costa, que fez ainda questão de salientar o papel de Portugal na luta contra o terrorismo, nomeadamente através da prevenção e combate à radicalização, o extremismo violento e o recrutamento.

Defendendo que a proteção e promoção dos direitos dos migrantes e dos refugiados é uma “obrigação moral”, o primeiro-ministro deixou um convite “a todos os países que ainda não o fizeram” para se associarem à Plataforma Global de Apoio aos Estudantes Sírios, uma iniciativa do antigo Presidente de Portugal Jorge Sampaio, e para apoiarem o Mecanismo de Resposta Rápida para o Ensino Superior.

António Costa renovou ainda o seu voto de confiança no Acordo de Paris, que descreveu como “um marco na redução dos impactos das alterações climáticas”, do qual “não podemos prescindir para atingirmos os objetivos do pilar ambiental da Agenda 2030”. Também garantiu que Portugal cumprirá o compromisso de reduzir, até 2030, 40% das emissões de gases de efeito de estufa, em comparação com os valores de 1990, conforme estabelece o acordo aprovado em dezembro de 2015, na capital francesa. Portugal contribuirá também ainda para o Fundo Verde do Clima, destinado à adaptação das alterações climáticas nos países em desenvolvimento, prometeu Costa.

Descrevendo os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável como “a mais poderosa referência da nossa ação multilateral em prol dos direitos humanos”, o primeiro-ministro assumiu como prioridade para Portugal o objetivo dos Oceanos, quer pela “história”, quer pela “ação internacional” que o país tem vindo a desenvolver em torno da preservação e valorização dos recursos marinhos. “Objetivo dos Oceanos é um daqueles em que podemos participar com maior valor acrescentado no quadro das Nações Unidas”, afirmou António Costa, que aproveitou também para reiterar o convite para acolher a segunda Conferência das Nações Unidas dedicada à conservação e à exploração sustentável dos Oceanos, que se realiza em 2020.

Este discurso de António Costa na ONU insere-se na sessão anual da organização, que conta com as intervenções de líderes de mais de 40 países, entre os quais os presidentes do Irão, da África do Sul e da Palestina e os primeiros-ministros de Itália, do Japão e do Reino Unido, bem como o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.