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Internacional

Supremo líder do Irão promete retaliar contra qualquer “decisão errada” dos EUA sobre acordo nuclear

REUTERS

Ameaça surge em resposta às declarações de Donald Trump sobre o Teerão, que acusou de estar a violar “o espírito” do histórico acordo alcançado em 2015, sob o qual o Irão suspendeu o seu programa de enriquecimento de urânio para fins militares em troca do alívio das sanções

O Irão não vai permitir que os EUA continuem a intimidá-lo e vai reagir em força contra qualquer "passo errado" de Washington quanto ao acordo nuclear em vigor desde 2015. Assim declarou no domingo o supremo líder iraniano, o aiatola Ali Khamenei, depois de, na quinta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter acusado Teerão de estar a violar "o espírito" do tratado sob o qual foram aliviadas as sanções ao país em troca da suspensão do seu programa nuclear.

Num discurso transmitido na televisão estatal, Khamenei declarou este domingo que o Irão se mantém firme na implementação desse acordo e avisou que "qualquer passo em falso do regime tirânico [dos EUA] conduzirá a uma reação da república islâmica". "Hoje, e apesar de todos os compromissos e debates nas negociações, a atitude da América quanto a essas negociações e ao seu resultado é completamente injusta e corresponde a uma intimidação", declarou o aiatola. "Os americanos devem saber que a república islâmica não vai andar para trás."

No final da semana passada, a administração Trump voltou a aliviar mais sanções ao Irão sob o chamado Plano Abrangente de Ação Conjunta (JCPOA), o acordo alcançado há dois anos por Teerão com o P5+1 (os cinco membros com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU — EUA, Rússia, China, França e Reino Unido — mais a Alemanha). Contudo, e tal como já tinha feito anteriormente, o governo americano voltou a sublinhar a que ainda não decidiu se vai manter esse acordo em vigor.

Trump tem até meados de outubro para decidir se vai certificar o cumprimento do JCPOA pelo Irão, caso contrário, o Congresso americano terá 60 dias para decidir se volta a impor sanções ao país. Face às críticas renovadas dos EUA, o Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros condenou a "contínua iraniofobia" de Washington, perante o reforço de sanções a 11 personalidades e empresas do país, entre elas duas com sede na Ucrânia, noticiou a agência estatal IRNA.

Este domingo, o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, disse que Teerão parece estar a cumprir tecnicamente o acordo nuclear mas sugeriu que o país está a aumentar as suas atividades de desestabilização do Iémen e da Síria, para além de manter ativo o seu programa de mísseis balísticos. "Penso que nada disso é consistente com o preâmbulo do compromisso que foi alcançado por todos" no JCPOA, disse em entrevista ao programa Face the Nation da CBS.

Antes de partir para Nova Iorque para participar na assembleia-geral da ONU, que tem início na terça-feira, o Presidente iraniano disse este domingo que os norte-americanos devem aliar-se aos restantes países no contínuo apoio ao acordo nuclear de 2015, comparando esse acordo a um jantar das potências mundiais. "Eles podem escolher o caminho certo e entrar na sala onde a comida está a ser servida, não teríamos qualquer problema com isso", declarou Hassan Rouhani citado pela IRNA.

No mês passado, o Irão já tinha avisado que vai abandonar o acordo "no espaço de horas" se os EUA voltarem a penalizar mais elementos do governo e empresas, depois de Washington ter ordenado novas sanções unilaterais contra o país por causa dos alegados testes de mísseis que Teerão tem estado a executar. Os EUA alegam que esses testes violam a resolução da ONU de implementação do JCPOA; o Irão rejeita a acusação e garante que os mísseis não estão a ser desenvolvidos para integrar ogivas nucleares.