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Internacional

Juíza ordena prisão preventiva do “homem mais odiado da América” por causa de ameaça a Hillary Clinton

Drew Angerer

Depois de ter sido declarado culpado de fraude por ter aumentado em 56 vezes o preço de um medicamento que salva vidas, o executivo farmacêutico Martin Shkreli vai ter aguardar pela sentença na prisão após ter oferecido dinheiro por um fio de cabelo da ex-candidata presidencial

A saga judicial em torno daquele que foi classificado como "o homem mais odiado da América" parece não ter fim. Depois de ter sido declarado culpado de fraude por ter aumentado em 56 vezes o preço do Daraprim — um medicamento essencial para pessoas com SIDA, cujo custo por dose passou de 13,5 dólares para 750 dólares (de 11€ para 631€) após a sua empresa ter comprado a patente — uma juíza federal ordenou na quarta-feira que Martin Shkreli aguarde pela sentença na prisão.

Em causa está uma publicação de Facebook a 4 de setembro, na qual o ex-executivo farmacêutico de 34 anos oferecia 5 mil dólares (4200 euros) por uma mecha de cabelo de Hillary Clinton, a ex-secretária de Estado norte-americana que foi derrotada por Donald Trump nas presidenciais de 2016 — um post que para a juiza Kiyo Matsumoto constitui um perigo público.

Shkreli foi declarado culpado de três acusações de fraude especulativa em agosto passado por um júri de Nova Iorque, dois anos depois de ter sido detido e de ter desembolsado 5 milhões de dólares de fiança para poder aguardar pelo julgamento em liberdade. Ontem, a juíza Matsumoto rejeitou os argumentos do réu de que a sua recente publicação na rede social — dias antes de Clinton lançar a sua nova autobiografia — está protegida pelas leis de liberdade de expressão dos EUA.

Durante a audiência, Shkreli argumentou que a oferta em questão, que acabou por apagar, era uma brincadeira. A juíza discordou e ditou que foi "uma solicitação de ataque [a Clinton] em troca de dinheiro", algo que "não está protegido pela 1.ª emenda da Constituição".

Reagindo à decisão judicial, o advogado do farmacêutico, Benjamin Brafman, disse que ambos ficaram "obviamente desapontados" e sublinhou: "Achamos que este tribunal chegou a uma decisão errada. Mas ela é a juíza e, neste momento, teremos de viver com esta decisão."

Shkreli, que enfrenta até 20 anos de prisão por causa da condenação por fraude, deverá conhecer a sentença numa audiência agendada para janeiro. Até lá ficará em prisão preventiva.