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Internacional

Flanco Leste da Nato: exercícios militares não faltam dos dois lados da fronteira

Vice-ministro da Defesa da Bielorrúrssia, Oleg Belokonev, durante a conferência de imprensa de apresentação do exercício Zapad 2017, a 29 de agosto em Minsk

VASILY FEDOSENKO / REUTERS

Enquanto os media ocidentais fazem eco das preocupações da Nato com um megaexercício militar russo junto do flanco Leste, milhares de militares de países membros e parceiros da Aliança também treinam em terra, no mar e no ar do lado de cá da fronteira

Muito provavelmente tudo não passará de mais um banal exercício de retórica belicista entre a Nato e a Rússia, em muitos aspetos semelhante àquele que emerge todos os anos por esta altura na península coreana quando norte-americanos e sul-coreanos realizam o habitual megaexercício militar que deixa os vizinhos do norte à beira de um ataque de nervos. Só que, neste caso, a ação decorre junto ao chamado flanco Leste da Aliança Atlântica.

O megaexercício que os militares às ordens do Presidente russo Vladimri Putin realizam este ano de olhos postos nos três estados bálticos – Estónia, Letónia e Lituânia – e na Polónia são, segundo a Nato, os maiores desde 2013. Em bom rigor, decorrem há várias semanas mas só agora se tornaram visíveis para as opiniões públicas de todo o mundo, com o arranque, esta quinta-feira, do chamado LIVEX, o Live Exercise, durante o qual as forças terrestres, aéreas e navais estarão em movimento no território da Bielorrússia (uma das repúblicas da antiga União Soviética) e no enclave russo de Kaliningrado (base naval russa no Báltico).

Os media ocidentais, citando fontes da Nato, asseguram que os russos pretendem testar a sua capacidade para atacar o Ocidente e que até poderão disparar mísseis com capacidade nuclear. E estimam, citando fonte dos Bálticos, que possam estar envolvidos cerca de 100 mil militares russos. As mesmas fontes, quase sempre anónimas, dizem ainda que os russos pretendem simular um eventual conflito com a Aliança para assim deixar claro o elevado estado de prontidão das suas forças.

Alertas feitos, o secretário-geral da Aliança Atlântica assegurou há precisamente uma semana que “a Nato permanece calma mas vigilante” e que irá acompanhar “de muito perto” o exercício russo com o nome de código Zapad-2017 ('Oeste-2017'). Disse-o durante a visita a uma base militar na Estónia onde está aquartelado um dos quatro ‘blattle groups’ estrategicamente colocados esta primavera nos três estados bálticos e na Polónia.

A calma aparente de Jens Stoltenberg contrasta com a preocupação demonstrada pelo primeiro-ministro da Estónia. “Estamos preocupados pela natureza e pela falta de transparência deste exercício”, disse Jüri Ratas durante o encontro com o secretário-geral da Nato, a 7 de setembro.

A Nato, mas sobretudo os líderes dos estados bálticos, temem que a coberto deste exercício, os russos invadam os seus territórios. E justificam-no com o passado recente, lembrando que decorria exercício similar junto à região Leste da Ucrânia quando militares russos começaram a aparecer do lado de lá da fronteira. O comandante das forças armadas norte-americanas na Europa, general Ben Hodges, também pensa que o Zapad-2017 poderá funcionar como um “cavalo de Troia”.

O Kremlin nega em absoluto tais pretensões e garante que apenas estão envolvidos 12.700 militares (7.200 bielorrussos e 5.500 russos), 70 aviões, 250 tanques e 10 navios, pelo que, de acordo com a Convenção de Viena, não estão obrigados a convidar observadores estrangeiros. Para o último dia do exercício, marcado para 20 de setembro, durante o qual serão recebidos os chamados “visitantes ilustres”, foram convidados três observadores de países-membros da Nato. Mas não serão apenas os militares russos que, por estes dias, estarão em manobras àquelas latitudes.

Na Suécia (parceiro da Nato mas não Estado-membro) as forças aliadas também estão a dar um ar da sua graça. Começou esta segunda-feira o Dubbed Aurora 17 onde participam, segundo os media locais, mais de 19 mil militares suecos e mais 1500 da Dinamarca, Noruega, Finlândia, França, Lituânia, Estónia e Estados Unidos. Fontes militares suecas disseram que o principal objetivo deste exercício é “conter potenciais agressores obrigando-os a analisar em detalhe as consequências de um eventual ataque ao seu território”.

Até dia 21 decorrerá ainda, a sul da ilha de Gotland, em pleno Mar Báltico (e Kalinegrado ali tão perto), um megaexercício naval que conta igualmente com o apoio da Suécia. Deverão participar no Northern Cost 2017 cerca de 50 navios, entre os quais a fragata portuguesa “D. Francisco de Almeida”, integrada até ao final do ano numa das forças navais permanentes da Nato. O principal objetivo deste exercício realizado anualmente desde 2007 nesta região é desenvolver as capacidades da esquadra nos domínios da vigilância marítima, luta antiaérea e antissubmarina.