Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Falsa vítima do atentado de Barcelona pede ajuda económica nas redes sociais

Maria Tores, assim diz chamar-se, também publicou apelos em plataformas de crowdfunding, mas os nomes da filha e do neto não constam nas listas oficiais relacionadas com o ataque nas Ramblas, o que levou a que a mentira fosse descoberta. Tinha pedido ajuda para ambos, que teriam supostamente sido feridos

Não se sabe quem é realmente Maria Tores, mulher que através das redes sociais e de pelo menos duas plataformas de crowdfunding tem pedido ajuda económica para apoiar a sua filha e neto, supostas vítimas dos atentados de Barcelona, mas os apelos foram já desmascarados. Entre as pessoas afetadas pelo ataque, não há nenhuma mulher em cadeira de rodas nem nenhuma criança com lesões graves na cabeça a aguardar cirurgia, apesar de ser esse o quadro descrito nas mensagens que pedem ajuda.

A história vem contada no “El Mundo”, que tentou contactar a mulher. Maria Tores - se é que este o seu nome verdadeiro - começou por concordar com a ideia de contar a sua história ao jornal, disse que ajudaria a “angariar mais dinheiro”, mas acabou por contornar as várias mensagens de Facebook, ora adiando respostas, ora inventando desculpas, até bloquear o acesso da página ao jornalista do diário espanhol.

“O meu nome é Maria Tores, sou de Valencia, Espanha. Sou mãe de Teresa Tores e avó de Antonio Tores. A minha filha e o meu neto foram duas das vítimas do atentado em Barcelona. Estavam de visita a uns amigos quando o ataque aconteceu. Agora ela e o filho estão num hospital. Ela com lesões na coluna e o meu neto em coma, devido a uma lesão na cabeça. O menino precisa de uma cirurgia cerebral numa clínica privada. Os gastos totais ficam em cerca de 8.000 euros e o seguro apenas cobre metade. Não somos ricos. Só nos temos uns aos outros. O dinheiro será usado para a cirurgia do meu neto e com os gastos necessários para a sua recuperação.” A mensagem, escrita em inglês, a 21 de agosto, apareceu publicada na página de crowdfunding Gofundme.com. O texto estava acompanhada de uma fotografia de um menino de dois ou três anos, entubado e deitado numa cama de hospital.

Confrontada com as suspeitas, a plataforma Gofundme.com procurou confirmar a história, pedindo alguns dados bancários e outras informações pessoais a Maria Tores. A mulher não respondeu, o que levou a que a sua conta fosse bloqueada, tendo sido devolvidos os donativos angariados até 29 de agosto - 300 euros no total.

Os pedidos de ajuda económica foram também repetidos através do Facebook: “Rogo a todos que ajudem, não importa com que valor. Pouco a pouco podemos fazer um milagre”.

Num dos últimos contactos com o jornalista do “El Mundo”, após longa ausência sem responder às mensagens, e depois de ter chegado a dar notícias sobre o estado de saúde dos familiares, afirmou que o neto morrera. Pouco depois, bloqueou o acesso à sua conta na rede social. As entidades oficiais de Barcelona confirmaram o que parecia claro: não há entre as vítimas ninguém com os nomes avançados nas petições, nem com os ferimentos e necessidade de cirurgia descritos. A mulher desapareceu entretanto de cena, sem que se saiba quem é ela ou a criança cuja fotografia publicou.