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Coreia do Norte ameaça “afundar o Japão” e transformar os EUA em “cinzas e escuridão”

Esta semana, a Coreia do Sul testou um míssil balístico em resposta às ameaças nucleares do Norte

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Apesar do amontoar de ameaças aos norte-americanos, esta é a primeira vez que Kim Jong-un emite uma ameaça explícita ao país vizinho desde que um dos seus mísseis balísticos sobrevooou uma parte do território nipónico

A Coreia do Norte ameaçou esta quinta-feira afundar uma parte do território do Japão e defendeu que os Estados Unidos devem ser “espancados até à morte como um cão raivoso” após os dois países terem conseguido que o Conselho de Segurança da ONU aprovasse uma nova ronda de sanções ao regime de Kim Jong-un face ao seu mais recente teste de uma bomba nuclear, o sexto e mais poderoso da sua História.

Em comunicado, o Comité de Paz Coreia Ásia Pacífico, que supervisiona as relações da Coreia do Norte com a comunidade internacional, descreveu a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança na segunda-feira como “um instrumento do mal” pago pelos Estados Unidos, exigindo que as novas sanções sejam suspensas. No mesmo documento, citado pela agência estatal norte-coreana KCNA, o comité sublinha: “As quatro ilhas do arquipélago [do Mar do Japão] devem ser afundadas no mar por uma bomba nuclear da Juche [a ideologia oficial da Coreia do Norte]. O Japão já não tem de existir perto de nós”.

Esta é a primeira vez que Kim Jong-un tece ameaças diretas ao país vizinho desde que um dos seus mísseis balísticos sobrevoou a ilha nipónica de Hokkaido no final do mês passado, uma ação inédita que levou as autoridades do Japão a fazerem soar sirenes de emergência e a emitirem alertas em massa para que a população da ilha procurasse abrigo.

Na segunda-feira, os 15 membros do Conselho de Segurança aprovaram uma resolução apresentada pelos Estados Unidos para condenar os mais recentes testes de mísseis da Coreia do Norte e o teste da bomba de hidrogénio, impondo sanções como a suspensão das importações de têxteis norte-coreanos e restrições às exportações de produtos petrolíferos pelo país.

Hoje, o Comité norte-coreano disse que, por causa disso, os EUA devem ser “espancados até à morte como um cão raivoso” pela sua “hedionda resolução de sanções”, acrescentando: “Vamos reduzir os EUA continentais a cinzas e escuridão. Vamos ventilar o nosso despeito através da mobilização de todos os meios retaliatórios que temos estado a preparar até agora”. Note-se que, em teoria, os mais recentes mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) testados pelo regime de Kim têm alcance suficiente para atingir o território norte-americano.

Em resposta às ameaças, o porta-voz do Governo do Japão, Yoshihide Suga, condenou o comunicado “extremamente provocador e escandaloso”, descrevendo-o como “algo que acentua marcadamente as tensões regionais e que é absolutamente inaceitável”.

Esta semana, um painel de especialistas norte-americanos alertou que a bomba atómica detonada pela Coreia do Norte a 3 de setembro envolveu cerca de 250 quilotoneladas de hidrogénio, o que significa que é muito mais poderosa do que se julgava inicialmente. De acordo com o site 38 Norte, a Organização do Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares (CTBTO) já reviu a magnitude sísmica gerada pelo teste de 5,8 para 6,1.

Os analistas falam numa “revisão significativa” porque, “ao invés do rendimento equivalente a cerca de 120 quilotoneladas das estimativas iniciais”, que apontavam para “uma magnitude mais baixa”, fica provado que a capacidade dessa bomba corresponde a cerca de 250 quilotoneladas (um quarto de megatonelada). “Não importa se este teste mais recente envolveu uma ogiva operacional de guerra para um ICBM ou um simples dispositivo”, referem ainda. “A potência deste teste demonstra claramente o progresso da Coreia do Norte no reforço do poder das suas armas nucleares.”