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Internacional

Um quarto das habitações de Florida Keys destruídas pelo furacão Irma

SAUL LOEB

Quase 7 milhões de lares da Florida, Georgia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Alabama continuam sem eletricidade por causa da tempestade. Até agora foram confirmadas 58 mortes no sudeste dos Estados Unidos e nos dez países e territórios das Caraíbas que foram varridos pelo Irma na última semana

Cerca de 90 mil residentes do arquipélago Florida Keys e da cidade de Miami Beach que tiveram se ser retirados antes da chegada do furacão Irma começaram esta quarta-feira a regressar às suas casas, com o último balanço a dar conta de que um quarto das habitações das ilhas norte-americanas ficaram completamente destruídas à passagem da tempestade. As últimas imagens recolhidas no local mostram inúmeras casas destruídas pelos ventos de até 192 quilómetros/hora, com as equipas de resgate e salvamento a entrarem em ação esta madrugada nas áreas mais afetadas pelo desastre a fim de distribuirem comida e água entre a população.

Amanhã, quinta-feira, Donald Trump vai visitar algumas cidades do estado da Florida que ficaram parcialmente desvatadas pelo Irma, naquela que é a sua terceira visita relacionada com furacões nas últimas duas semanas, depois de ter visitado o Texas no rescaldo da passagem do furacão Harvey. Antes do retorno dos habitantes aos seus lares, as autoridades de Miami e de Florida Keys avisaram que a maioria das áreas continuam "sem eletricidade e sem água".

As autoridades norte-americanas já confirmaram que o Irma, um furacão "sem precedentes" no oceano Atlântico, causou pelo menos 18 mortos no sudeste do país desde que ali chegou no domingo, 12 deles na Florida. Isto a juntar às 40 mortes confirmadas na última semana nos dez países e territórios das Caraíbas, alguns deles, como a ilha de Barbuda, atualmente "inabitáveis" por causa dos estragos e da devastação que a tempestade de categoria 4 causou. Em Cuba, os habitantes estão a acusar o governo de os ter abandonado apesar das medidas de precaução que foram encetadas antes da chegada do Irma.

Segundo os media dos EUA, quase 6,9 milhões de lares continuam sem eletricidade na Florida, Georgia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Alabama por causa do furacão, que acabou de ser revisto para uma depressão tropical com ventos inferiores a 55 km/h. Algumas partes do arquipélago Florida Keys já foram reabertas, mas continuam em vigor restrições aos residentes e aos donos de estabelecimentos comerciais enquanto decorrem as operações de limpeza de estradas e de avaliação do estado de importantes infraestruturas como as pontes que ligam as várias ilhas.

A Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) dos EUA diz que pelo menos 25% das habitações das Keys ficaram destruídas e que 65% sofreram danos significativos. "Basicamente todas as casas sofreram impactos", disse o organismo. O governador da Florida, Rick Scott, adiantou: "Há muitas áreas que nunca achámos que inundariam que ficaram inundadas."

Perante o rasto de devastação deixado pelo Irma, vários países europeus estão a reforçar o apoio aos territórios das Caraíbas parcial ou totalmente destruídos, perante o amontoar de críticas à sua gestão do desastre. Ontem, em visita às ilhas francesas do Caribe, o Presidente Emmanuel Macron defendeu-se dessas críticas ao sublinhar que o seu governo respondeu ao furacão "com uma das maiores operações de evacuação desde a II Guerra Mundial".

Na rádio estatal da Holanda, durante uma visita ao lado holandês da ilha de St. Maarten, o rei Guilherme-Alexandre ressaltou: "Já vi grandes guerras e desastres naturais no passado, mas nunca vi nada como isto." Esta quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Boris Johnson, vai visitar as Ilhas Virgens britânicas, também duramente atingidas pelo Irma. Ao todo, pelo menos 23 pessoas morreram nesses três territórios ultramarinos, incluindo dez na ilha francesa de St. Barts e na parte francesa de St. Martin. A BBC refere que milhares de pessoas ignoraram os pedidos de evacuação feitos pelas autoridades antes da chegada anunciada do furacão na semana passada, o que terá contribuído para o número de vítimas.

Em declarações ao jornal "Florida Times Union", o autarca de Jacksonville, a cidade mais populosa da Florida, disse que 356 pessoas tiveram de ser resgatadas perante a subida rápida do nível das águas e consequentes inundações causadas pelo furacão. Outras partes do mesmo estado conseguiram escapar praticamente ilesas à fúria do Irma em comparação com o caos e destruição registados nas Caraíbas. "As cheias em Miami representam uma mera fração do que teria acontecido se o olho do furacão estivesse localizado mais para leste", disse no Twitter Rick Knabb, ex-diretor do Centro Nacional de Furacões.