Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Impasse nas negociações do Brexit força adiamento de nova ronda

WPA Pool

Delegações do Reino Unido e da Comissão Europeia iam reunir-se em Bruxelas na próxima segunda-feira, mas segundo o "The Independent" a retomada das negociações só terá lugar na semana seguinte, a 25 de setembro, a pedido do governo de Theresa May

A próxima ronda de negociações do Brexit vai ser adiada por uma semana na tentativa de acabar com o impasse que está a pôr em risco um acordo final para a saída do Reino Unido, noticiou na terça-feira à noite o "The Independent". A delegação da Comissão Europeia e os representantes britânicos deveriam retomar as negociações na próxima segunda-feira em Bruxelas, mas segundo o jornal só voltarão a reunir-se na semana seguinte, a 25 de setembro.

A notícia surgiu a par de rumores de que a primeira-ministra britânica, Theresa May, está a preparar-se para proferir um discurso no qual deverá apresentar, pela primeira vez, a sua estratégia concreta de saída face às críticas de líderes europeus como o presidente do executivo comunitário, Jean-Claude Juncker — que, no final de agosto, acusou o governo do Reino Unido de ainda não ter apresentado propostas "satisfatórias" para se alcançar um acordo de saída dentro do prazo previsto, que termina em março de 2019.

O mesmo jornal avança que Downing Street marcou o dia 22 de setembro na agenda como a possível data para o antecipado discurso, um que foi referido pela primeira vez por Guy Verhofsdadt, o representante do Parlamento Europeu nas negociações do Brexit, quando declarou que a primeira-ministra britânica estará a planear uma "importante intervenção" que poderá forçar o reagendamento da nova ronda de negociações.

Nesse discurso, May deverá tentar dar garantias de segurança às empresas britânicas sediadas em Bruxelas prometendo um acordo de transição que seja "o mais semelhante possível" às atuais relações comerciais do Reino Unido com a UE. Dias depois, já no início de outubro, a chefe do governo britânico vai enfrentar os colegas conservadores no congresso do partido, muitos dos quais defendem uma postura mais dura e um maior afastamento da UE.

Questionado esta semana sobre o possível adiamento das negociações, o chefe da delegação da Comissão Europeia, Michel Barnier, disse que "é possível" que isso aconteça — algo que, segundo o "The Independent", surgiu a pedido do Reino Unido depois de a última ronda ter terminado sem que os britânicos conseguissem pôr em marcha as negociações de um futuro acordo comercial e aduaneiro com o bloco. Bruxelas continua a sublinhar que essas negociações só podem ter lugar depois de os termos do divórcio estarem fechados.

JUSTIN TALLIS

Também ontem à noite, a Câmara dos Comuns aprovou uma moção controversa que garante ao governo de May poderes para escrutinar e aprovar legislação para o Brexit sem precisar do aval de uma maioria dos deputados britânicos.

A moção, apresentada pela líder da câmara baixa Andrea Leadsom, foi aprovada com 320 votos a favor e 301 contra, demonstrando as claras cisões entre os legisladores do Reino Unido quanto à forma como a saída do bloco europeu deve processar-se.

Na prática, isto significa que, apesar de o Partido Conservador ter perdido a maioria parlamentar nas eleições legislativas que May decidiu antecipar para junho deste ano, o governo vai poder aprovar leis para concretizar a saída da UE sem ter de submeter-se à bitola do parlamento.

Como explica o "Independent": "A Lei para a Saída da UE foi criada para permitir que novas leis e regulações, que são debatidas em comissões parlamentares, sejam aprovadas através de um controverso dispositivo legal chamado instrumento estatutário. [Com a aprovação da moção], o governo acabou de dar a si próprio uma maioria no pouco conhecido Comité de Seleção, que decide a composição dessas comissões, e ao fazê-lo assumiu o controlo de todo o processo" de substituição das leis europeias atualmente em vigor.