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Internacional

Conselho de Segurança da ONU pede “medidas imediatas” para acabar com a violência em Myanmar

MIKE SEGAR/REUTERS

Também esta quarta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, qualificou de “completamente inaceitáveis” os alegados ataques das forças de segurança de Myanmar contra os Rohingya e exigiu a suspensão de todas as ações militares

Helena Bento

Jornalista

O Conselho de Segurança da ONU expressou esta quarta-feira “profunda preocupação” em relação à situação em Myanmar e apelou a que sejam tomadas “medidas imediatas” para acabar com a violência no país.

Num comunicado conjunto, os 15 membros do Conselho de Segurança condenaram a violência que já levou cerca de 380 mil pessoas da minoria étnica muçulmana Rohingya a refugiar-se no Bangladesh e apelaram à entrada de ajuda humanitária no país.

Também esta quarta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, qualificou de “completamente inaceitáveis” os alegados ataques das forças de segurança contra a minoria étnica e exigiu a suspensão de todas as ações militares. Os Rohingya enfrentam “uma situação humanitária catastrófica”, salientou Guterres.

Questionado sobre se os ataques contra Rohingya podem ser considerados uma limpeza étnica, o secretário-geral da ONU não respondeu de forma direta, mas aquilo que disse foi suficientemente esclarecedor. “Um terço da população rohingya foi já obrigada a sair do país. Haverá melhor palavra para descrever o que está acontecer?”, questionou, acrescentando logo de seguida: “Quando lá estive na semana passada, havia 125 mil refugiados Rohingya que tinham fugido para o Bangladesh. Esse número triplicou agora para 380 mil”.

António Guterres quis ainda chamar a atenção para as condições em que vivem os refugiados da minoria que chegaram entretanto àquele país. “Muitos foram instalados em abrigos improvisados ou juntaram-se a comunidades que têm partilhado generosamente tudo o que têm. Mas mulheres e crianças têm chegado esfomeadas e malnutridas”.

A situação em Myanmar agravou-se quando o exército lançou uma operação militar no oeste do país, em resposta a uma série de ataques dos Rohingya. Aqueles que conseguiram deixar já o país acusam as forças de segurança de ter respondido com violência a estes ataques e de ter queimado as suas aldeias com o objetivo de os expulsar do país. Segundo Zaw Htay, porta-voz do Governo, 176 aldeias onde viviam a minoria, em Rakhine, no oeste do país, encontram-se agora vazias.

Recorde-se que as autoridades de Myanmar, de maioria budista, não reconhecem a cidadania aos Rohingya, impondo-lhes uma série de restrições, que incluem nomeadamente privações em termos de liberdades de movimentos.

Embora Guterres não o tenha afirmado peremptoriamente, para o Alto-Comissário para os Direitos Humanos é muito claro o que está a acontecer. Na segunda-feira passada, Zeid Ra'ad Al Hussein descreveu a situação como “um exemplo clássico de limpeza étnica”.