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Internacional

Congresso tenta forçar Donald Trump a condenar supremacistas brancos e neonazis

Um manifestante ergue um cartaz contra o fascismo frente à Casa Branca no rescaldo da violência em Charlottesville

Mark Wilson

Republicanos e democratas uniram-se para aprovar uma resolução conjunta, que ao contrário de outras resoluções precisa da assinatura do Presidente, exigindo-lhe que "condene publicamente os grupos que defendem o racismo, o extremismo, a xenofobia, o antissemitismo e a supremacia branca" e que “use todos os recursos disponíveis para fazer frente à crescente prevalência destes grupos de ódio nos EUA”. Casa Branca escusa-se a confirmar se Trump vai assinar o documento

O Congresso norte-americano acabou de aprovar uma resolução de condenação aos neonazis, membros do Ku Klux Klan e outros supremacistas brancos que estiveram por trás da violência em Charlottesville, na Virginia, a 11 de agosto, quando um desses supremacistas conduziu um carro contra um grupo de manifestantes anti-racismo, provocando a morte de uma mulher de 32 anos.

A resolução foi negociada pelos republicanos e democratas e aprovada num modelo conjunto que exige a assinatura do Presidente — ao contrário de resoluções de outra índole que não precisam do seu aval — na tentativa de forçar Donald Trump a condenar publicamente os grupos de ódio que o próprio disse que incluem "pessoas muito boas" no rescaldo dos acontecimentos de há um mês.

Nela, os legisladores do Senado, que aprovaram a resolução com unanimidade na segunda-feira, e os da Câmara dos Representantes, que também se uniram na terça-feira para darem aval ao documento, exigem ao Presidente que "condene publicamente os grupos que defendem o racismo, o extremismo, a xenofobia, o antissemitismo e a supremacia branca" e que "use todos os recursos disponíveis para fazer frente à crescente prevalência destes grupos de ódio nos EUA". Na mesma resolução, a morte da contramanifestante Heather Heyer é classificada como um "ataque terrorista doméstico".

A par dos pedidos diretos à presidência, os legisladores dos dois partidos também exigem ao procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, que "investigue de form aprofundada todos os atos de violência, intimidação e terrorismo doméstico por supremacistas brancos, nacionalistas brancos, neonazis, membros do Ku Klux Klan e grupos associados" que ocorram no país. Segundo vários grupos de defesa de direitos civis, desde que Trump foi eleito houve um aumento "dramático" no número de crimes de ódio nos EUA.

Entre 8 de novembro, dia das presidenciais, e abril deste ano, o Southern Poverty Law Center (SPLC) registou 1.863 incidentes xenófobos, com uma média de 87 crimes de ódio cometidos por dia nos dez dias que se seguiram à ida às urnas — cinco vezes mais do que a média diária registada pelo FBI em 2015. No mês passado, no rescaldo dos incidentes em Charlottesville, a ONU emitiu um raro aviso perante o que diz ser o racismo "alarmante" que está a assolar os EUA. "Estamos alarmados com as demonstrações de racismo, com os slogans, cânticos e saudações abertamente racistas por nacionalistas brancos, neonazis e pelo Ku Klux Klan, promovendo a supremacia da raça branca e incitando à discriminação racial e ao ódio", declarou a comissão da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD).

Em comunicado, os especialistas em Direitos Humanos das Nações Unidas também pediram ao líder dos EUA que condene de forma "inequívoca e incondicional" todo o tipo de crimes e discursos de ódio, avisando que, se não o fizer, estará a potenciar futuros ataques e episódios de violência — isto depois de Donald Trump ter responsabilizado "os dois lados" que se manifestaram a 11 de agosto pelo que aconteceu, na prática equiparando os nacionalistas xenófobos aos manifestantes anti-racismo e aos membros do Antifa, um movimento anti-fascista por vezes acusado de recorrer a violência para lutar contra grupos de ódio.

No rescaldo da votação de terça à noite, o correspondente do Politico no Congresso, Kyle Cheney, avançou no Twitter: "Questionada sobre se o Presidente vai assiná-la, a porta-voz da Casa Branca diz que 'não tem anúncios neste momento'." Até ver, a administração continua sem confirmar se Trump planeia assinar ou não a resolução.