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Internacional

Coligação conservadora no poder reeleita para novo mandato na Noruega

A primeira-ministra Erna Solberg conseguiu o que nenhum líder conservador conseguiu desde 1985 — ser reeleita para um segundo mandato consecutivo

MARIT HOMMEDAL

Eleições gerais de segunda-feira marcaram uma grande vitória para os conservadores ao leme da primeira-ministra Erna Solberg mas também para o Partido do Progresso, os nacionalistas anti-imigração que integram o governo de saída e que, segundo uma contagem parcial dos votos, conseguiram reeleger 28 dos seus 29 deputados

A primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, e a sua coligação de governo foram reeleitos para um novo mandato de quatro anos nas eleições legislativas de segunda-feira, destronando a oposição de centro-esquerda com uma curta margem. Com cerca de 95% dos votos contabilizados, tudo aponta que o Partido Conservador de Solberg e restantes partidos minoritários da coligação tenham conquistado 89 de um total de 169 assentos do Stortinget (o parlamento norueguês), em parte graças à campanha populista e anti-imigração do Partido do Progresso (nacionalistas).

"Temos de ser um pouco cautelosos, mas parece que vamos ter uma maioria não-socialista", declarou Solberg aos seus apoiantes na segunda-feira à noite, sublinhando que os resultados das eleições gerais lhe deram "um mandato de mais quatro anos". Em segundo lugar ficou a coligação que integra cinco partidos da oposição, ao leme do líder trabalhista Jonas Gahr Støre, cuja campanha se centrou em questões tributárias e no futuro do setor energético da Noruega tendo em conta o aquecimento global e a urgência de se combaterem as alterações climáticas.

Sem esperar pela conclusão da contagem dos votos, o milionário de 57 anos, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros entre 2005 e 2012, concedeu a derrota e desejou boa sorte à rival. "Isto é uma grande desilusão para o Partido Trabalhista", declarou aos apoiantes em Oslo. "O nosso objetivo era dar um novo governo à Noruega. Sabíamos que ia ser renhido e foi renhido. Mas parece que não foi o suficiente para substituirmos o governo conservador e do Partido do Progresso por um governo trabalhista."

Esta é a primeira vez desde 1985 que a Noruega elege um governo conservador para um segundo mandato consecutivo. Apesar de se antever que vão perder seis dos 55 assentos que detinham até agora no Stortinget, os trabalhistas continuam a ser o maior partido com representação parlamentar. As eleições de segunda-feira também se provaram um falhanço para Os Verdes, que fizeram campanha pelo fim de todos os novos projectos de exploração de petróleo e gás ao longo dos próximos 15 anos — de acordo com a contagem parcial, terão conquistado 3,3% dos votos, elegendo apenas um deputado.

Mesmo sem ter defendido essa agenda, a líder do Partido Conservador poderá ser forçada a fazer cedências no que toca à indústria energética e às alterações climáticas para avançar com uma nova coligação de governo — isto porque depende do apoio dos Liberais e dos Democratas Cristãos no parlamento, dois partidos que também querem limitar a exploração petrolífera e de gás nas sensíveis águas territoriais norueguesas no Ártico.

Quem se saiu melhor nas eleições de ontem foi o Partido do Progresso, tido como menos nacionalista e menos autoritário que outros partidos populistas europeus. Os analistas apontam que o partido minoritário da coligação de saída beneficiou da dupla crise que abalou o país nos últimos anos — a crise dos refugiados e migrantes na Europa e a desaceleração da economia noruguesa — garantindo a reeleição de 28 dos seus 29 deputados muito graças à sua retórica anti-imigração e às críticas à despesa pública.