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Alibaba e os (quase) 500 milhões

FOTO Qilai Shen/Bloomberg/Getty Images

O gigante chinês do comércio eletrónico quer controlar o consumo à escala mundial e está cada vez mais perto de o conseguir. O império criado por Jack Ma está prestes a apanhar a norte-americana Amazon e tem um portefólio de negócio cada vez mais diversificado

São compradores ativos em vez de ladrões e parecem ser muito mais fiéis do que o grupo de 40 malfeitores que o orientalista Antoine Galland deu a conhecer ao mundo. Jack Ma fez de uma ideia simples um tesouro — queria levar os produtos da China ao mundo — e conseguiu criar um império na internet. Não o fez de uma vez nem sem falhas, mas hoje é o chairman de um dos maiores grupos do mundo (tem 466 milhões de utilizadores a comprar produtos nas suas plataformas) e rivaliza com a norte-americana Amazon no pódio do comércio eletrónico.

Na verdade, o tesouro de Ma também estava numa caverna, mas o que o impedia de brilhar não era a magia, era o protecionismo. O ainda jovem empreendedor sabia disso como ninguém — durante a infância, os seus avós foram perseguidos pelos comunistas em plena Revolução Cultural —, no entanto isso não o impediu de sonhar (ou de agir). Se o lenhador de “As Mil e Uma Noites” conseguiu carregar parte do tesouro, o professor e tradutor de inglês também havia de lá chegar, mesmo depois de muitas portas se fecharem sem que ele tivesse dito as palavras mágicas.

Foi em 1995 que introduziram Jack Ma à internet, na sua primeira viagem aos Estados Unidos, e o empresário chinês percebeu logo ali que esse seria não só o seu futuro como também o do seu país. Em pleno boom das exportações chinesas e numa altura em que Ma prestava serviços de tradução, nem todos achavam o mesmo. Quando pediu ajuda estatal para o projeto que estava a desenvolver, acabou por ficar sem ele, mas perder o controlo do primeiro negócio chinês da internet não o demoveu de continuar a tentar.

Crescimento. O sonho de Jack Ma, que queria criar um site na internet para produtos chineses, acabou por cumprir-se. Em menos de duas décadas, o Alibaba cresceu exponencialmente e é hoje um dos grupos mais poderosos do mundo. Na foto, uma vista da empresa em Hangzhou

Crescimento. O sonho de Jack Ma, que queria criar um site na internet para produtos chineses, acabou por cumprir-se. Em menos de duas décadas, o Alibaba cresceu exponencialmente e é hoje um dos grupos mais poderosos do mundo. Na foto, uma vista da empresa em Hangzhou

FOTO Alibaba Group

O site que aglomerava as empresas chinesas e os seus produtos, e que dava pelo nome de ChinaPages, era apenas o primeiro de muitos projetos. Jack Ma tinha prometido a si próprio que nunca pronunciaria um “Fecha-te, Sésamo”, mesmo que também em Silicon Valley lhe tenham dito que o negócio do Alibaba nunca teria lucro. A resiliência estava-lhe no sangue — “Chumbei num exame importante da escola primária duas vezes, chumbei no exame do liceu três vezes e reprovei no exame de admissão à universidade duas vezes”, confidenciou uma vez em Davos — e nunca desistiu.

Mesmo sem nunca ter sido bom a matemática (o seu mundo era o das letras e aprendeu inglês sozinho) nem saber programar, carregava o sonho de uma economia aberta e sabia que havia de atingir os objetivos a que se tinha proposto. Demorou o seu tempo e teve os seus desafios, mas 18 anos passados desde a fundação do Alibaba está praticamente cumprido. Valeu a pena a altura em que pôs em risco a sua liberdade e a dos seus funcionários, quando desenvolveram o Alipay à revelia das autoridades, numa época em que todos desconfiavam do comércio eletrónico na China.

Grupo. Em 1998, e ainda antes da criação oficial da empresa de Hangzhou, os fundadores visitavam juntos a Muralha da China (Jack Ma é o primeiro à esq.). Hoje, a força laboral do grupo, com sede na cidade em que foi fundado, é composta por mais de 50 mil pessoas

Grupo. Em 1998, e ainda antes da criação oficial da empresa de Hangzhou, os fundadores visitavam juntos a Muralha da China (Jack Ma é o primeiro à esq.). Hoje, a força laboral do grupo, com sede na cidade em que foi fundado, é composta por mais de 50 mil pessoas

foto Alibaba Group

Venceu e fez do Alibaba um dos grupos mais poderosos do mundo (basta pensar que reúne características que o assemelham a uma Amazon com um eBay e um PayPal incorporados) e promete não ficar por aqui. O Taobao, que junta a componente social às compras e é o maior mercado online da China, é apenas uma das empresas que fazem parte do conglomerado dedicado ao comércio virtual. Também há espaço para o mais conservador Tmall, virado para o mercado interno, e para o AliExpress, criado para os consumidores internacionais e cujas receitas cresceram 136% de um ano para o outro. As três plataformas são a joia da coroa e representam 70% das receitas do Alibaba. Em agosto deste ano, Jack Ma e o seus súbditos voltaram a surpreender.

O grupo foi o grande campeão das apresentações de resultados do primeiro trimestre fiscal e anunciou lucros recorde que voltaram a virar as atenções do Ocidente para os negócios de Ma. A gigante do e-commerce teve um crescimento de 95% no lucro líquido entre abril e junho deste ano (em comparação com o período homólogo de 2016) e os ganhos totalizaram 2,17 mil milhões de dólares (cerca de 1,81 mil milhões de euros). A receita total foi de 7,32 mil milhões de dólares (6,10 mil milhões de euros), o que lhe confere uma performance 56% superior à registada no mesmo período do último ano. As vendas online ainda representam 86% do bolo, mas é nos outros serviços do grupo que se regista o maior crescimento.

DO MUNDO VIRTUAL PARA O REAL

O Alibaba até pode querer continuar a expandir os negócios além-fronteiras, mas sabe que é a sua China que pode crescer mais em menos tempo. No último ano, o Império do Meio ultrapassou os Estados Unidos como maior mercado de retalho do mundo (dados da empresa de estudos de mercado eMarketer) e vale 4,9 triliões de dólares, algo como 4,1 triliões de euros. São 12 zeros que valem muito dinheiro e é esse dinheiro que o Alibaba quer nos seus cofres. Está a fazer tudo o que pode para o arrecadar.

As compras online não são o único mercado em que o Alibaba quer deixar a sua marca e é também no comércio tradicional que pretende fazer algumas mudanças, alterando a experiência de compra nos supermercados. A tendência de levar os negócios da internet para o mundo real está a ser seguida por outros grupos — a Amazon já conta com livrarias físicas, comprou a cadeia de supermercados Whole Foods e tem uma concept store chamada Amazon Go, onde está a testar novas formas de interagir com os clientes —, mas o Alibaba quer ir mais longe. Quer adotar uma estratégia omnichannel, em que integra os diversos formatos de loja (online e física) numa experiência de compra que vá de encontro às expectativas dos consumidores.

Foi com isso em linha de conta que criaram uma nova estratégia de vendas de supermercado através da cadeia Hema, onde conseguiram casar a comodidade de comprar online com a proximidade das compras presenciais (que ainda valem 80% do total na China). A aposta pode parecer estranha, mas os dados recolhidos nas suas plataformas virtuais (como o Taobao, o Tmall ou o Aliexpress) permitem ao gigante do comércio eletrónico saber exatamente o que procuram os seus clientes, adaptando a oferta. Para saber o que deve ter disponível a cada momento, o Alibaba tem vindo a desenvolver algoritmos que analisam os dados de cada consumidor — como histórico de compras, tempo de permanência em loja ou número de vezes que a visita — e que vão ajudar o grupo a perceber quais são as tendências do mercado.

Com a informação, a gigante do e-commerce (que nunca teve, até agora, propriedade sobre os stocks disponíveis nos seus sites, distanciando-se da estratégia da norte-americana Amazon) pode agilizar o processo de venda com os seus parceiros de negócio e prestar um melhor serviço aos seus clientes. Sobre esta nova forma de vender, o CEO Daniel Zhang explica que terá essencialmente vantagens. “A nossa nova estratégia de retalho é uma invenção que antecipa e catalisa mudanças no comportamento do consumidor”, considera, expressando que “o tempo, o local e o método de compra e consumo” (nos supermercados Hema também é possível comprar alimentos frescos e confecioná-los no mesmo espaço) “serão diferentes do que eram antes”.

A ideia da empresa é que o cliente sinta a maior liberdade possível, pelo que este é também convidado a deslocar-se ao supermercado Hema mais próximo e a fazer as suas compras com entrega em casa. Só precisa de criar uma conta de utilizador e ter o serviço ativo para começar a encher o carrinho, com a promessa de que tudo correrá da forma mais fluida possível. Para isso, cada uma das novas lojas Hema tem um raio de atuação de apenas três quilómetros, de modo a agilizar todo o processo. Para Zhang, “o futuro do novo retalho passará por uma integração harmoniosa do online e do offline, e o Hema é o primeiro exemplo desta evolução em curso”, que quer levar os consumidores que preferem as compras tradicionais a experimentarem os meios digitais. Na visão do Alibaba, o futuro passa por fazer compras através do smartphone, utilizando o sistema de pagamento Alipay, de que também é proprietário. O ecossistema é fechado e está sempre a funcionar. E a gerar dinheiro.

Apesar de esta ser uma das maiores apostas do grupo para o sector alimentar, não é a única e há outros projetos já em execução. A parceria do Alibaba com o grupo Bailian, que controla cerca de cinco mil lojas no território chinês, parece ser um passo seguro e que dará dimensão à estratégia do grupo. Assim, alargar a utilização das plataformas de comércio eletrónico online (como a Tmall ou a Taobao) e da plataforma de pagamentos móveis (Alipay) às lojas físicas independentes torna-se ainda mais fácil. Nos últimos dois anos, o Alibaba investiu 8 mil milhões de dólares (cerca de 6,65 mil milhões de euros) em supermercados físicos e pode procurar parceiros estrangeiros num futuro próximo. Ambição não lhe falta.

A NUVEM E A ÁRVORE DAS PATACAS

Embora ainda represente apenas uma pequena parte no negócio do Alibaba, a computação na nuvem está a crescer (acompanhando uma tendência que também se verifica noutras empresas do sector) e o grupo quer apostar cada vez mais neste sector. A receita com a cloud subiu 96% face aos dados do último ano — para os 359 milhões de dólares (299 milhões de euros) — e são já mais de um milhão os utilizadores pagos deste serviço.

Para isso, o Alibaba Cloud tem apostado em infraestruturas próprias que suportam não só os seus negócios como alojam outras empresas. Foi assim que começaram (a dar espaço aos produtos de outros na internet) e é por aí que vão continuar. Em comunicado, Daniel Zhang mostra-se confiante neste novo mercado, mas não perde o foco. “A nossa tecnologia está a impulsionar um crescimento significativo do nosso negócio e a fortalecer a nossa posição para lá do comércio, que é o nosso núcleo”, expressou.

Enquanto se posiciona como um dos grupos mais influentes do mundo, o Alibaba não para e continua à procura de novas formas de fazer crescer o seu negócio. Também dentro de portas e muito além do que está a fazer com os supermercados. No ano passado criou o Hangzhou City Brain — programa que vai utilizar inteligência artificial para controlo de tráfego na cidade-natal de Jack Ma — e no último mês assinou um acordo com o Governo de Macau para a construção de uma cidade inteligente e conectada. Para isso, será construído um centro de computação em nuvem e uma plataforma de metadados/megadados, com o projeto a avançar em duas fases.

Se na primeira, a acontecer nestes primeiros anos de parceria, a aposta será na criação das infraestruturas e na implementação gradual dos processos — em áreas tão diversas como a gestão do tráfego, a assistência médica, a promoção do turismo ou a formação de talentos —, a segunda vai mais além e mexe de forma direta com o futuro da Região Administrativa Especial. A proteção ambiental, o controlo fronteiriço e as previsões económicas serão também feitas com recurso aos dados recolhidos.

CONTROLAR AS TRANSFERÊNCIAS

Além de fornecer serviços na cloud e ajudar a regular o trânsito, o Alibaba também quer ter uma palavra a dizer no futuro das transferências de dinheiro e perceber qual o caminho que este segue. Não para enquanto não conseguir pôr toda a gente a usar as suas plataformas de pagamento móvel e este ano já fez uma compra avultada em território norte-americano. Tudo para garantir que o amanhã não lhe foge.

A Ant Finantial Services, unidade financeira do Alibaba Group e que já era dona da plataforma de pagamentos online Alipay, abriu os cordões à bolsa para tomar a MoneyGram em janeiro deste ano e a operação deverá estar concluída até ao final de 2017 — com o valor desembolsado a situar-se nos 880 milhões milhões de dólares (824 milhões de euros). Por enquanto, tudo vai manter-se como até aqui — a compra não implica o desaparecimento do nome da empresa de Dallas —, mas a revolução vai acabar por chegar. A ideia é crescer ainda mais (a China é o maior mercado de pagamentos através da internet, com mais de nove triliões de euros transacionados no ano passado) e tomar o continente americano e o mundo.

Poderoso. Jack Ma mantém-se como chairman do Alibaba Group, cujas empresas têm mais de 466 milhões de compradores ativos

Poderoso. Jack Ma mantém-se como chairman do Alibaba Group, cujas empresas têm mais de 466 milhões de compradores ativos

foto VCG/Getty Images

A MoneyGram, com clientes em 200 países, servirá mais como forma de ganhar dimensão imediata (utilizadores e licenças em mercados-chave) do que em termos tecnológicos, pelo que o gigante chinês está interessado em levar os consumidores para o seu reino dos pagamentos online. No fundo, querem pôr o mundo a consumir da mesma forma que os chineses já estão a fazê-lo. De acordo com os dados mais recentes, 14% dos consumidores do país mais populoso do mundo já perderam o hábito de ter dinheiro físico consigo no dia a dia, sendo que 26% já só costumam ter cerca de 10 euros na carteira. O crescimento tem sido feito sempre do lado digital, com os pagamentos móveis a ganharem cada vez mais espaço. No último ano, as compras com recurso único ao telemóvel no país atingiram os 4,6 triliões de euros.

Só assim é possível perceber as palavras de Eric Jing, CEO da Ant Finantial Services, que se tem mostrado confiante com a aposta na empresa norte-americana de transferência de dinheiro. Para o executivo, “a compra da MoneyGram é um passo significativo”, que levará a empresa a “oferecer serviços financeiros inclusivos aos utilizadores de todo o mundo”, com determinados países debaixo de olho. “A combinação da Ant Financial e da MoneyGram vai dar maior acesso, segurança e simplicidade a todas as pessoas no mundo para transferirem dinheiro, especialmente nas maiores economias como os Estados Unidos, China, Índia, México e Filipinas”, explicou o executivo em comunicado.

TURISTAS E EMBAIXADORES

Neste processo de digitalização dos pagamentos nada foi deixado ao acaso e o Alibaba sabe que os seus maiores aliados são mesmo os consumidores chineses. Mesmo sem saberem, foram transformados em verdadeiros embaixadores da empresa e estão a desempenhar um papel fulcral no crescimento das marcas do Alibaba Group. Fazem-no enquanto passam férias, um pouco por todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial de Turismo, os 135 milhões de turistas chineses que saíram do país em 2016 (mais 6% do que em 2015) gastaram cerca de 222 mil milhões de euros no estrangeiro (mais 12%) e grande parte deles fê-lo com recurso a pagamentos móveis. Para isso contribuiu o crescimento de ferramentas como o Alipay, que já está disponível em vários pontos do globo e que promete continuar a crescer. Nos últimos tempos foram assinados acordos globais com várias marcas do sector, mas um dos maiores negócios será mesmo com a hoteleira Marriott.

No que à cadeia de hotéis diz respeito, esta estabeleceu um acordo de parceria com o gigante do comércio eletrónico chinês para que juntos passassem a gerir uma agência de viagens online, até agora apenas controlada pelo Alibaba Group. Chama-se Fliggy, é a sucessora da antiga Alitrip (fundada em 2014) e a sua missão é levar os millennials chineses a comprarem viagens para a Europa e para os Estados Unidos. Tem conseguido cumprir os objetivos — já tem 200 milhões de utilizadores registados no portal e é visitada 10 milhões de vezes todos os dias —, mas as duas empresas consideram que ainda há muito a explorar.

Se a Marriott quer mais do que vender noites nos quartos dos seus hotéis (estão interessados em disponibilizar viagens organizadas, com refeições e visitas guiadas, ou concertos e eventos desportivos), o Alibaba quer fazer do seu sistema de pagamento Alipay a moeda de troca. Trata-se de um acordo em que ambas as partes vencem, como explicou o CEO da Marriott International. “Com esta parceria, estamos a unir a nossa especialidade de [bem] receber à plataforma digital de viagens do Alibaba, à experiência de comércio e de pagamentos digitais do Alipay e a conduzir mais pessoas para os nossos programas de lealdade”, expressou Arne Sorenson sobre o acordo.

APOSTA NO ENTRETENIMENTO

Depois de tudo o que há de mais mundano, seguem-se as preferências do grupo no mundo da fantasia. Os interesses do Alibaba vão muito além do que seria natural para uma empresa deste género, mas é também por aqui que esta pode pisar os calcanhares a outros grupos (incluindo mais uma vez a Amazon de Jeff Bezos, que detém a Amazon Studios). No final do último ano, e para surpresa de muitos, o Alibaba Pictures Group (APG) anunciou uma parceria inédita com o realizador Steven Spielberg, naquele que pode ser um dos negócios mais promissores firmados no final de 2016. A subsidiária do grupo dedicada à sétima arte comprou uma posição minoritária na Amblin Partners e o objetivo é coproduzir e cofinanciar longas-metragens para os mercados chinês e estrangeiro, mas não se cinge a isso.

O acordo, sobre a qual não foram divulgados quaisquer valores, inclui também distribuição, com os filmes da Amblin a poderem figurar nas plataformas de streaming do grupo. Em causa estará a entrada num dos mais populares sites de transmissão de vídeo, o Youku Toudu, considerado o YouTube chinês e detido também pelo Alibaba. Na última apresentação de resultados, no mês passado, a unidade de media e entretenimento do grupo (onde está incluído Youku Tudou) registou um aumento de 30% na receita, mas existe uma razão que explica parte do sucesso alcançado pelas empresas chinesas que se relacionam com Hollywood.

O grupo Wanda — que comprou a AMC Entertainment (dona da segunda maior cadeia de salas de cinema dos Estados Unidos) e a britânica Odeon & UCI Cinemas (que também distribui filmes em Portugal) — descobriu a pólvora do entretenimento, no entanto também não revelou a fórmula. Preferiu continuar a investir e adquiriu a produtora Legendary Entertainment, mas o Alibaba está no seu encalce e seguiu pelo mesmo caminho. Numa conferência de imprensa, organizada em Pequim a propósito do negócio, Steven Spielberg e Jack Ma apareceram juntos para explicarem o que estava em causa (mas a verdade é que não disseram tudo).

Segundo o realizador, o acordo vai permitir “trazer mais da China para os Estados Unidos e levar mais dos EUA para a China”, ao passo que o chairman preferiu centrar as atenções nas melhorias para a cultura. Embora os Estados Unidos e a China tenham “diferenças culturais”, a empresa vai “focar-se em histórias humanas e servir de ponte entre os dois países”. Mas não é apenas isso que está em causa.

A verdadeira razão é a restrição à importação de filmes em vigor na China, que está sujeita a cotas e cujo negócio é um monopólio estatal. “Existe muito dinheiro chinês a entrar em Hollywood e há muita gente a propor-nos parcerias. Muitas vezes, veem-nos como uma fonte de capital e como uma forma de entrar na China”, explicou Zhang Wei, presidente do Alibaba Pictures, numa entrevista publicada no Alizila (o site de comunicação do grupo). No cinema, como em tudo, Jack Ma também vai continuar a arranjar formas de continuar a crescer.