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Furacão Irma deixa rasto de devastação: autoridades confirmam nove mortos

ALVIN BAEZ/ Reuters

O furacão Irma fez três mortos em Porto Rico, quatro em Saint-Martin, um em Barbuda e outro em Anguilla, segundo o mais recente balanço provisório das autoridades. A sua passagem é agora temida em Cuba, Bahamas e costa da Florida

As autoridades confirmaram, esta quinta-feira, nove mortes provocadas pelo furacão Irma. Três pessoas morreram em Porto Rico, quatro em Saint-Martin, uma Anguilla e uma criança de dois anos Barbuda.

Inicialmente, as autoridades da ilha de St. Martin e o ministro do Interior francês, Gerard Collomb, deram conta de oito mortos confirmados. No entanto, durante a tarde desta quinta-feira, o primeiro-ministro de França, Edouard Philippe, negou o número divulgado e garantiu que “está a decorrer a identificação de quatro mortos”.

Em St. Martin e San Barthélémy, o primeiro-ministro francês avança que há 50 pessoas feridas, sendo que 21 foram hospitalizadas. Cerca de 60% das casas estão inabitáveis devido aos estragos causados pela passagem do furacão. Edouard Philippe fala numa “tragédia inimaginável e sem precedentes”.

O primeiro-ministro francês informou ainda que a ilha de St. Martin encontra-se, neste momento, sem eletricidade. Também não há água potável nem gasolina. Algumas ruas estão totalmente intransitáveis, enquanto que noutras é possível circular mas com restrições. O aeroporto e o porto da ilha estiveram encerrados durante algum tempo, mas foram reabertos entretanto. “Haverá muito trabalho pela frente. As emoções vão tornar-se mais fortes e a tristeza será enorme", disse, citado pela AFP.

Esta quinta-feira, o governador de Porto Rico, Ricardo Rossello, confirmou, em comunicado, a morte de três pessoas na ilha. As vítimas são uma mulher de 79 anos, que terá sido assistida depois de cair quando se dirigia para um abrigo, uma jovem, que morreu eletrocutada em Camuy, na costa noroeste da ilha, e, por último, um homem, que morreu na sequência de um acidente em Canóvanas, no nordeste da ilha. Quase um milhão de pessoas estão sem eletricidade e cerca de 50 mil estão sem água, de acordo com as autoridades.

Na ilha de Barbuda, o furacão terá feito estragos em 95% dos edifícios, informaram as autoridades.

Segundo a agência Reuters, a velocidade do vento ronda os 290 quilómetros por hora. Pelas várias ilhas das Caraíbas por onde passou, arrancou árvores, danificou casa e deixou um rasto de devastação.

O Presidente de França, Emmanuel Macron, já disse que não se vai deslocar às ilhas francesas afetadas pelo furacão. “As condições atmosféricas não permitem uma deslocação presidencial”, justificou, sublinhando que irá visitar o território “assim que possível”.

Até ao momento, estima-se que 1,2 milhões de pessoas tenham sido de alguma forma afetadas pelo furacão de categoria 5, o nível máximo da escala de intensidade. O número é avançado pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, citada pelo jornal francês “Le Figaro”. A organização não-governamental espera que este número chegue aos 26 milhões.

O Irma é considerado um dos furacões mais fortes registados no oceano Atlântica. A força do vento faz dele o mais intenso furacão desde dos anos 60 do século passado, segundo o “The Guardian”.

Irma chega à Florida no fim de semana

Na Florida foi ordenada a evacuação das Florida Keys, um arquipélago composto por cerca de 1700 ilhas, no sudeste dos EUA, e de algumas zonas de Miami e Fort Lauderdale. Outras áreas poderão entretanto ser evacuadas. "Independentemente do local onde vivam, todas as famílias devem estar preparadas para serem retiradas. Podemos reconstruir as vossas casas, mas não podemos reconstruir a vossa vida”, sublinhou Rick Scott, governador do estado norte-americano.

A chegada do Irma à Florida deverá acontecer este fim de semana, onde se espera que seja “realmente destrutivo”, afirmou o chefe da Agência Federal de Situações de Emergência (FEMA) norte-americana, Brock Long, à CNN. O responsável acrescenta ainda que além da Florida, a “totalidade do sudeste dos Estados Unidos deve estar atenta”, especialmente na Geórgia, Carolina do Norte e Carolina do Sul.

Numa mensagem publicada na sua conta no Twitter, Donald Trump aconselhou a população a ser “prudente” e a “manter-se em segurança”.

Portugueses em Cuba levados para zonas seguras

Esta quinta-feira, o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, informou à Lusa que os portugueses que se encontram em estâncias turísticas em Cuba estão a ser retirados para locais mais seguros pelas autoridades locais.

“As autoridades cubanas pediram-nos para transmitir que todos os cidadãos que se encontram em turismo naquela região serão deslocalizados para outros locais onde se prevê que não haja consequências de maior com a passagem do furacão”, afirmou o responsável à agência de notícias.

No total, as proteção civil de Cuba, que elevou o grau de alerta em sete províncias (Guantanamo, Santiago de Cuba, Granma, Holguin, Las Tunas, Central Camagüey e Ciego de Avila), já retirou cerca de dez mil turistas estrangeiros.

José Luís Carneiro informou ainda que os portugueses que estão em Punta Cana, na República Dominicana, onde o Irma passou esta quinta-feira, encontram-se “bem”. O gabinete de emergência consular está em contacto permanente com as autoridades locais e embaixadas e postos consulares, bem como com as agências de turismo portuguesas. As autoridades portuguesas estão também em “contacto permanente” com as embaixadas dos Estados Unidos da América, devido à região da Florida, bem como com Cuba, Venezuela e México.

Além disso, foi estabelecido um canal de comunicação permanente com o gabinete de crise das autoridades francesas, que têm jurisdição em muitos destes territórios, e também com as autoridades suecas, que estão acreditadas nestas localidades, acrescentou José Luís Carneiro.