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Internacional

Francisco pede mais “cultura do encontro” e menos “tentação de vingança”

ALESSANDRO DI MEO/EPA

De visita à Colômbia, onde permanecerá até ao próximo domingo, o Papa Francisco saudou “os esforços feitos, durante os últimos decénios, para pôr termo à violência armada” no país

Helena Bento

Jornalista

No seu primeiro discurso na Colômbia, o Papa Francisco saudou “os esforços feitos, durante os últimos decénios, para pôr termo à violência armada e encontrar caminhos de reconciliação”. “Sem dúvida, neste último ano, progrediu-se de modo particular; e os passos dados fazem crescer a esperança, na convicção de que a busca da paz é uma obra sempre em aberto, uma tarefa que não dá tréguas e exige o compromisso de todos”, afirmou.

Francisco, que chegou ao país da América Latina esta quinta-feira, onde permanecerá até domingo, insistiu na necessidade de favorecer aquilo que designou por “cultura do encontro” - uma cultura que, nas suas palavras, coloca “a pessoa humana, a sua sublime dignidade e o respeito pelo bem comum” no centro “de toda a ação política, social e económica”. Também pediu aos colombianos para “fugirem de toda a tentação de vingança e da busca unicamente de interesses particulares e de curto prazo”.

O Papa sublinhou ainda a importância de haver “leis justas que possam garantir a harmonia e ajudar a superar os conflitos que por decénios dilaceraram” e de “deter o olhar” em todos aqueles que são “excluídos e marginalizados pela sociedade”, que são “desprezados e postos de lado”. Também insistiu na necessidade de fixar o olhar na “mulher, na sua contribuição, no seu talento, no seu ser 'mãe' nas múltiplas tarefas” e sublinhou a “importância social da família”.

Já na parte final do seu discurso, citou as palavras do escritor colombiano Gabriel García Márquez durante a atribuição do Prémio Nobel, em 1982, e deixou uma mensagem de apoio e solidariedade. “Quis vir aqui para vos dizer que não estão sozinhos, que somos muitos os que queremos acompanhar-vos nesta etapa, esta viagem pretende ser um incentivo, um contributo que possa tornar mais fácil o caminho para a reconciliação e a paz”.

Durante a sua visita à Colômbia, o Papa irá visitar Villavicencio - onde decorrerá um encontro de oração pela reconciliação nacional, que deverá contar com a presença de grupos e vítimas e participantes no conflito armado - Medellín e Cartagena de Índias.